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REDESIGNAÇÃO SEXUAL EXIGE QUEBRA DE TABU

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?Ousar ser sem deixar de sonhar / Escolhi não ser metade / Construí em mim o que fui capaz / Luta diária?. A poesia Orgulho Trans, de Virgínia Guitzel, travesti e militante da causa trans, revela o que, diariamente, centenas de transexuais fazem: lutar por liberdade, seja no processo de transexualização, com a Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS) ou no combate ao preconceito. A CRS é o procedimento cirúrgico pelo qual as características sexuais de nascença de uma pessoa são mudadas para aquelas socialmente associadas ao gênero ao qual o indivíduo se reconhece. Ou seja, é parte, ou não, da transição física de transexuais e transgêneros. No Estado, de acordo com o Grupo Gay de Alagoas (GGAL), 37 transexuais, que são acompanhados pelo grupo, lutam para fazer a cirurgia de mudança de sexo. Porém, o número pode ser ainda maior, porque ?normalmente não são notificados pelo Estado ou pelas entidades que apoiam os LGBTs?. ?Que o grupo tem conhecimento, vinte e três alagoanos fizeram a cirurgia. Mas, devem existir mais. Normalmente, as pessoas saem do Brasil para fazer porque confiam?, disse o presidente do GGAL, Nildo Correia. Para ser operada, a pessoa interessada precisa de, no mínimo, dois anos de terapia, laudo de três especialistas e muita determinação para enfrentar a mudança corporal, mental e, principalmente, a ?cultura de não-aceitação imposta pela sociedade?. ?Infelizmente, não é tão fácil, porque existe a burocracia. O paciente passa por psicólogos, psiquiatras, uma série de exames porque os especialistas têm o objetivo de descobrir se a pessoa está preparada ou não para fazer a cirurgia. Além de descobrir se, de fato, faz parte de um processo de transexualização?, salienta Correia. Outro fator ?predominante? para a demora da cirurgia pela escolha da pessoa trans, segundo ele, é a ?autoaceitação?. ?Com toda a pressão psicológica da sociedade, muitos trans acabam retrocedendo psicologicamente, seja por medo do outro ou de si mesmo. Infelizmente, isso ainda acontece muito e é registrado diariamente, com tentativas de suicídio e até mortes pela violência?, afirmou o presidente do Grupo Gay de Alagoas.

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