Cidades
Mudan�a � carta de alforria, diz trans
Wonderful significa ?maravilhosa? e é a definição perfeita para a trans Natasha Wonderfull, de 33 anos, que é técnica de enfermagem e trabalha no Consultório da Rua, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ela relata que a luta é constante. ?Eu hoje me sinto uma escrava lutando pela minha carta de alforria, porque o processo de mudança é burocrático. Então, se eu tenho dinheiro, viajo para fora do País e faço a mudança. Mas, se eu não tenho, demora de dois a três anos?, conta. O sonho de Wonderfull é fazer a cirurgia na Tailândia ? referência para cirurgias de mudança de sexo. ?Pelo que estou vendo, minha cirurgia será feita no Recife. Na minha última pesquisa, se eu fosse pagar a cirurgia, iria arcar com R$ 40 mil, no mínimo?, calcula Natasha. Ao longo do processo de mudança, Wonderfull já passou por algumas intervenções cirúrgicas. ?Quando eu fiz 16 anos, coloquei silicone. Anos depois, fiz rinoplastia e outras plásticas no rosto?, ressalta. PRECONCEITO Quando se descobriu como mulher, Natasha, que morou boa parte da infância no interior, enfrentou o preconceito da família e da sociedade. ?Além de ser transexual, sou negra?, desabafou. Ela diz ainda que uma das situações mais difíceis foi ver suas ?irmãs? morrendo na rua devido à ?perseguição social?. ?Quando morei em São Paulo, vi muitas sendo espancadas?, lembra.