Cidades
A VIDA AQUI NESSE CENTRO � UM INFERNO
A situação de insegurança nos postos de saúde é refletida pelos trabalhadores do setor e pode ser conferida em locais como o PAM Salgadinho, o maior centro de atendimento à saúde em Maceió, localizado no bairro do Poço, área central da cidade. A capital conta com aproximadamente 75 unidades de atendimento à saúde pública administrados pela prefeitura, que incluem postos, centro de atendimento psicossocial (Caps) e a Casa de Saúde Denilma Bulhões, conforme dados da Secretaria de Saúde. No momento em que a Gazeta chegou ao local, na tarde da quarta-feira, 19 de abril, uma servidora do PAM Salgadinho, a psicóloga Sandra Gomes, buscava ajuda de guardas municipais, para retirar um usuário que fazia ameaças com o uso de canivete e faca contra os servidores de um dos blocos, destinado ao atendimento de pessoas com problemas psicológicos e portadores do vírus HIV. ?A vida aqui neste centro é um verdadeiro inferno. Já fizemos dois boletins de ocorrência na polícia, fomos à audiência pública na Câmara de Vereadores e nada é resolvido. O PAM Salgadinho deve ser uma prioridade?, considera a servidora. Ela diz que muitos usuários demonstram impaciência exagerada, motivado até mesmo pela demora durante a realização da consulta ou de outro atendimento ambulatorial. ?Reclamam quando demora a atender e reclamam até mesmo quando o próprio atendimento é mais demorado?, enfatizava a servidora, fazendo referência ao acompanhante de uma usuária em consulta. A psicóloga confirma que, além das constantes ameaças sofridas pelos trabalhadores, o PAM Salgadinho também tem sido alvo de criminosos, que praticam assaltos, roubos nos blocos para atendimento e arrombamentos de veículos estacionados no local. ?No bloco I já levaram micro-ondas e computador?, revela a servidora, destacando que falta uma maior proteção no prédio como, por exemplo, grades nas janelas. Sandra Gomes ainda ressalta que, como são obrigados a bater o ponto de trabalho, os servidores ficam expostos e ociosos durante duas horas, pois precisam ficar no local das 17h, quando o posto fecha para os usuários, até as 19h, horário de saída. ?Por que não manter em funcionamento??, questiona.