Cidades
Iniciativas resgatam o conv�vio em pra�as
Moradores se mobilizam em praças de Maceió para resgatar o convívio entre os espaços públicos e as relações interpessoais. A fisioterapeuta Carolina Garabini, idealizadora do projeto Conversando na Praça, o comerciante Rivaldo Lins e o morador de Jaraguá Ezequiel Muller são algumas das pessoas que contribuem através de gestos simples pelo resgate da memória do convívio nas praças públicas. Até o final deste ano, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semds) pretende revitalizar dez desses espaços. Movida pelo desejo de escutar o que o outro almeja, a fisioterapeuta Carolina Garabini se inspirou por meio de livros e intervenções urbanas pelo mundo para compor o projeto Conversando na Praça. Há cerca de 15 dias, Carolina decidiu seguir com a ideia munida de uma placa com a pergunta ?Qual é o seu sonho?? e mais duas cadeiras de praia, uma para ela e outra para alguém que queira revelar seus sonhos e histórias, e percorre as praças de Maceió disposta a conhecer novos olhares. ?Uma das histórias que escutei na Praça Deodoro me chamou a atenção. Eu fui com a placa até uma senhora que estava sentada. Ela começou a explicar que o sonho dela era estudar, mas que não teve a oportunidade. Então ela conheceu a igreja da qual participa. Mas enquanto ela falava da religião dela e citava passagens da Bíblia com uma eloquência, percebi que, de certa forma, ela havia alcançado o objetivo de se instruir por meio daquele caminho que ela percorreu, o da religião?, conta. A fisioterapeuta também cita as redes sociais como um ganho, mas defende a ideia da conversa que flui pessoalmente, olho no olho, e que atitudes como essa podem mudar pensamentos. Mas lamenta que, apesar de toda a aproximação que ações como essa intervenção proporcionam, o estado de conservação dos espaços públicos não está agradável, a exemplo das praças, que são ambientes feitos para promover contatos e encontros. ?As praças hoje te convidam a ir embora. Normalmente, os bancos são virados para o lado que bate sol, as árvores são mal podadas, e aí você tem vontade de ir embora, você não tem vontade de ficar, os bancos não te convidam. Quando fui à Praça da Faculdade, ela estava jogada, não parecia que havia sido revitalizada há pouco tempo?, exemplifica. Mas, apesar do que descreve, Carolina espera que o projeto tenha longa vida e que amadureça. Para as intervenções, a fotógrafa Renata Baracho a acompanha para registrar o trabalho e posteriormente irá compilar as experiências de Carolina em um documentário. A próxima praça que as duas visitarão será a Dois Leões, em Jaraguá, na última semana de maio. Rivaldo Lins, conhecido como Selva, além de trabalhar no período da noite como vigilante e de se dedicar à prática de corrida em seu tempo livre, também é comerciante pela manhã na Praça Dois Leões, em Jaraguá. Como comerciante, ele possui uma barraquinha que vende comida na praça, e para se aproximar de seus clientes, ele criou um grupo no WhatsApp. *Sob supervisão da editoria de Cidades