Cidades
MORADORES S�O EXPOSTOS A DOEN�AS
O resultado da pesquisa desenvolvida pelo curso de Engenharia Ambiental da Ufal constatou que a população de Maceió está à mercê de um grave problema de saúde pública, causado pela ingestão de água fora dos padrões de potabilidade. No mínimo, moradores de cinco bairros da capital ? Pescaria, Riacho Doce, Barro Duro e Ponta Verde ? enfrentam, em maior ou menor escala, riscos de contrair doenças de veiculação hídrica, como, por exemplo, hepatite e diarreia, além de males como hipertensão e micose por contato. O infectologista José Maria Constant explicou à Gazeta que um dos maiores riscos para quem ingere água sem o devido tratamento é o de contrair hepatite do tipo A, transmitida por um vírus. A contaminação ocorre pela ingestão do líquido ou de alimentos contaminados com matéria fecal, ou seja, quando o produto está cru, apenas lavado pela água contaminada. As diarreias causadas por vírus, protozoários e bactérias também são transmitidas pela ingestão de água não potável. Vale ressaltar que esse tipo de doença ? que, a princípio, pode ser considerada de fácil tratamento ? proporciona, muitas vezes, o agravamento do quadro clínico dos pacientes. Isso geralmente ocorre quando, por fatores diversos, a desidratação evolui para severa, ou mesmo quando o organismo, por estar bastante debilitado, não se recupera totalmente e fica tendo recaídas de repetição. ?De forma frequente, isso pode acontecer quando o paciente continua tendo acesso ao fator, ou fatores, de contaminação?, frisou o infectologista José Maria Constant. Na prática, é isso o que acontece exatamente como a professora Selêude Wanderley da Nóbrega explicou: a presença de um alto índice de coliformes na água para consumo, somado à ausência (total, em alguns locais pesquisados) de cloro residual e agregado à falta de saneamento básico, acarretam diarreias infecciosas por repetição. E, cada vez que a contaminação acontece, mais vulnerável torna-se o paciente.