Cidades
PODE SER A GOTA D�GUA
A água que chega nas torneiras do maceioense não segue os padrões de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS). Não é potável, e quem bebe corre o risco de ficar doente. Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e fiscais da Gerência de Vigilância Ambiental do Município de Maceió atestam que este quadro é grave, com base em análises periódicas no sistema de distribuição da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). A água fornecida não tem cloro e o pH é ácido, abrindo precedente para proliferação de microorganismos nocivos à saúde humana. O índice de turbidez está em desconformidade e o de coliformes fecais também é elevado em várias amostras, além da presença de cloretos, que deixam a água salobra e imprópria para consumo. O gerente da Vigilância Ambiental, Alex Tenório Freire, é incisivo. ?A água distribuída pela Casal não é segura para o consumo?. Para atestar, ele exibe o relatório geral e anual das análises microbiológicas. De 1º de janeiro a 31 de dezembro do ano passado, os fiscais do setor fizeram 705 coletas na capital e verificaram a ausência de cloração e o pH da água desnivelado. Do total, foi constatado que 70% das amostras estavam fora do padrão do índice de cloro e 84% irregular em relação à medição do pH. O levantamento ainda constatou a presença de contaminação por bactérias em 4% das amostras. O percentual aceitável, segundo explica o fiscal, pelo Ministério da Saúde, é até 5%. O índice de coliformes totais ficou em 25%. Estes números, embora não se transformem em motivos para alarde, merecem uma reflexão. ?Ora, o Ministério da Saúde até aceita um índice de coliformes e de bactérias, mas não ter cloração na água é inadmissível, levando em consideração que sem a desinfecção a água fica vulnerável. Em alguns locais, observamos que não há cloro na água em todas as amostras, o que, em tese, é um grande risco para ação de microorganismos?, explica. O órgão fiscalizador ampliou a capacidade de análises com a inauguração do laboratório próprio. Somente este ano, segundo Alex Freire, já foram feitas mais de 500 coletas de água. Os dados ainda estão sob análise. ?Preliminarmente, posso atestar que, do ano passado para hoje, nada mudou. A água que o maceioense recebe nas torneiras não é potável devido à falta de capacidade da Casal de aplicar o cloro, que é a única substância que deixa o líquido seguro ao consumo humano?, avalia.