Cidades
SA�DE DE ALUNOS CORRE RISCO
Periodicamente, a professora doutora Selêude Nóbrega vai até o bairro de Pescaria e faz a coleta diretamente na torneira que fica na entrada da Escola Estadual Professor Carlos Povina Cavalcante para futura análise em laboratório. Pela pesquisa da Ufal, a água que chega à localidade é a que apresenta os piores índices. Esta mesma água é a que serve aos 221 alunos do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental deste colégio, além dos servidores do corpo escolar. Parte deles mata a própria sede a partir do garrafão, que é completado a partir do encanamento. As crianças nem sempre sabem avaliar o gosto que sentem na ingestão do líquido. A merenda também é preparada com o líquido que sai das torneiras. A pesquisadora da universidade faz um alerta importante diante do levantamento feito a partir das amostras analisadas. ?Da maneira como esta água é distribuída e chega aos moradores, jamais ela poderia ser consumida?. O secretário escolar da unidade, Erivan Matias Silva, disse lamentar a dificuldade e ressalta que a qualidade da água que chega à escola já foi comunicada à Secretaria de Estado da Educação (Seduc). De acordo com ele, a direção aguarda medidas que possam ser tomadas para evitar a exposição dos alunos ao risco de ficarem doentes pela ingestão da água da torneira. O único bebedouro do colégio está inutilizado devido à oxidação dos tubos. A professora Selêude explica que o problema é ocasionado pelo nível alto de sais dissolvidos (cloretos) encontrados na água. Já o secretário entende que a proximidade com o mar gera a deterioração do material. Outro aparelho, de plástico, foi improvisado. A auxiliar de serviços diversos da escola, Lausimar Barros, vive em Pescaria há 27 anos e diz que nunca teve água de qualidade em casa. Quando viu a aproximação da reportagem, logo disparou: ?A água do nosso bairro é péssima. Não presta nem para cozinhar, tampouco para beber. É salobra e muitas vezes sai das torneiras amarelada, com barro, pontos pretos e ferrugem. Lavar roupa com esta água é perda de tempo?. Ela informa que paga uma taxa de R$ 40,30 mensalmente à Casal pela água ?suja? que recebe. Para cozinhar os alimentos e beber, diz que cumpre a mesma rotina dos demais moradores. Caminha cerca de um quilômetro até um sítio particular onde há um poço artesiano perfurado. É desta fonte que grande parte dos habitantes retira a água ?potável? para consumo. O dia inteiro é de movimento intenso neste local. Centenas de garrafões são cheios e carregados com o máximo de esforço diário. Até as crianças se envolvem neste trabalho.