Cidades
Pesquisa p�e em xeque dados sobre microcefalia
Os casos de microcefalia em bebês podem estar subnotificados no Estado. É o que aponta o estudo ?Zika em Alagoas: a urgência dos direitos?, elaborado pelo Instituto Bioética Anis e apresentado ontem, à Defensoria Pública do Estado. A pesquisa faz uma radiografia das famílias afetadas pelo vírus zika e que gerou anomalia das crianças. Por meio dela, constatou-se problemas graves na assistência aos pacientes e às mães e faz-se uma série de recomendações urgentes para atenuar o sofrimento destas pessoas. O levantamento foi feito pela antropóloga Debora Diniz, que é alagoana e pesquisadora da Anis, além de ser professora da Universidade de Brasília. Ela chegou à conclusão que as mulheres da epidemia de zika em Alagoas são a face da desigualdade da sociedade brasileira. O documento cita casos em que crianças foram indevidamente excluídas do cadastro nacional e, portanto, estão fora do serviço de amparo do governo federal, além da falta de assistência farmacêutica, de óculos para pacientes com microcefalia, além de órteses e próteses. ?São jovens, negras e indígenas, cuja maioria delas vivenciou a primeira gravidez ainda na adolescência. Também são pouco escolarizadas e fora do mercado de trabalho. Quase todas são integralmente dependentes de políticas públicas de saúde, assistência social e educação para cuidar de si e de seus filhos afetados pela síndrome congênita do zika?, destaca. Ela revela que ficou intrigada pelo fato de os números de infecção pelo vírus em Alagoas serem completamente diferentes dos registrados nos estados com características sociais semelhantes, a exemplo de Bahia e Pernambuco, que explodiram no quantitativo geral de casos. ?Os estados vizinhos eram a voz da ciência das descobertas e, ao mesmo tempo, do desamparo das famílias e suas crianças de cabeça miudinha. Centros de referência para estimulação precoce das crianças foram prometidos, políticas estaduais desenhadas, a mobilização de famílias teve início. Mas Alagoas se mantinha um enigma, até que escutei ser o Estado um ?paradoxo? para a compreensão da epidemia. Que Alagoas é um paradoxo da desigualdade, pois é a terra de Quilombo dos Palmares e de Palmeira dos Índios, dos usineiros e dos canaviais, dos altos índices de homicídio de mulheres, tudo isso esclarecia o senso de paradoxo daquela terra. O sentido anunciado, no entanto, era outro?.