Cidades
Maternidade limita atendimento a paciente de risco
A lotação da Maternidade Santa Mônica continua esgotada. A crise vivida na semana passada, com a superlotação que provocou a suspensão de novos internamentos, inclusive de pacientes de risco, foi minimizada. Mas um cartaz fixado no portão de entrada mostra que o hospital continua trabalhando no limite: ?Só recebemos exclusivamente alto risco. Motivo: superlotação?. Segundo Maria Almeida, assessora da diretoria, o aviso tem como objetivo evitar que a situação volte a ficar fora do controle. A maternidade está com todos os seus 90 leitos ocupados e com a lotação completa nos 16 leitos da UTI Neonatal e nos 22 leitos da Unidade de Terapia Intermediária, mas o quadro é bem diferente do registrado há cerca de 10 dias, quando todos os leitos, macas e cadeiras estavam ocupados com pacientes, levando os funcionários da maternidade a acomodar até três gestantes numa maca, e mais de um bebê por berço. A lotação da UTI chegou a 47 bebês, 11 a mais do que o limite suportável, uma situação de risco para a vida dos recém-nascidos. ?Não podemos deixar que isso volte a acontecer, porque compromete a qualidade do atendimento. E não é só pela falta de leito. Se ultrapassamos nossa capacidade de atendimento, ultrapassamos nossas provisões alimentares e de medicamentos, faltam roupas de cama e roupas adequadas para os bebês na UTI, onde a temperatura tem que ser mantida muito baixa por causa do risco de infecção?, explica Maria Almeida. Redistribuição Ela diz que o setor de Serviço Social está realizando um trabalho de reencaminhamento das parturientes que chegam e cuja gestação não é considerada de risco, para outras maternidades. ?O fato de a Santa Mônica ser referência; ser bem equipada, acaba gerando uma demanda muito grande, sobretudo de pacientes do interior do Estado. Mas as pessoas precisam saber que existem outras maternidades, como a do Hospital Universitário, e as conveniadas, como a do Hospital do Açúcar, do Ortopédico, do Monte Cristo, Maternidade Santo Antônio, Santa Lúcia, Nossa Senhora de Fátima e Paulo Neto, todas em Maceió?, observa. Na sua opinião, falta às pacientes conhecimento e conscientização disso, e aos governos a sensibilidade para aumentar o valor pago por atendimento a essas maternidades, para incentivar a melhor distribuição. ?É estressante essa situação. É constrangedor termos que dizer a uma gestante que bate à nossa porta que não podemos atendê-la porque a maternidade está superlotada. Ninguém quer entender que irresponsabilidade não é deixar de atender quando a lotação está esgotada, e sim, ultrapassar nossa capacidade de atendimento?, conclui Maria Almeida. As maternidades citadas pela funcionária da Santa Mônica também registram superlotação, com freqüência. Segundo os médicos, a situação só seria resolvida se o governo instalasse novas unidades nos municípios-pólo.