Cidades
CASCA DE MANDIOCA GERA PL�STICO
Aos 16 anos, Sinara Ervelyn da Silva Oliveira cursa o segundo ano do ensino médio. Ela conta que ?a ideia do projeto surgiu a partir da necessidade da nossa região, o Nordeste. A gente viu que tinha uma matéria-prima, a mandioca, e que tinha um descarte, que é a casca. Daí, surgiu a feira do colégio. Foi a primeira vez que a gente estava trabalhando com química, conhecendo um laboratório. Eu tinha acabado de chegar à escola. Era tudo novo?, lembra a estudante. Com o tema ?Sustentabilidade?, a feira de ciências do colégio foi o incentivo que precisavam para a iniciação científica na prática. ?Quando pensamos em sustentabilidade, a primeira coisa que vem a nossa cabeça são soluções sustentáveis e criativas. Aqui na nossa região ? o Benedito Bentes ? muitas mulheres vendem a mandioca, geralmente descascada. Foi daí que veio a ideia: vamos utilizar a casca! Passamos três meses pesquisando. Pesquisamos sobre um plástico biodegradável e descobrimos que a matéria-prima dele era o amido, que podia ser encontrado no milho, na batata, e daí veio a ideia. Foi quando surgiu a dúvida se o mesmo amido que é extraído da mandioca, poderia ser extraído da casca dela, que é jogada fora?, descreve Sinara. Os estudantes fizeram o teste e descobriram que a casca da mandioca é 90% amido, que poderia ser revertido na produção do plástico. ?Passamos a fazer os testes, até chegar na produção do plástico biodegradável?, revela Sinara, ao dizer que descobriram, a partir da pesquisa, três tipos de plástico: o compostável, o hidrossolúvel e oxidegradável. ?O plástico compostável é um pouco mais fino. Então, a ideia seria substituir pelas sacolas de supermercado e pelos plásticos menos resistentes; o oxidegradável é um pouco mais grosso. Então, a ideia é substituir por plásticos mais resistentes, como copos, cadeiras?, diz. O plástico hidrossolúvel, produzido a partir da casca da macaxeira, segundo ela, foi pensado para ser utilizado na plantação. ?Geralmente, quando a gente compra uma muda de planta ela vem com um plástico em volta. Plantamos com aquele plástico e ele acaba ficando lá muito tempo. Quase 200 anos ou mais. O plástico hidrossolúvel é menos resistente à água. A ideia é substituir o plástico que é usado na muda por esse, porque ao entrar em contato com a água, leva entre 24 a 78 horas para se decompor. E por ser biodegradável, é 100% proteína. No momento em que começar a se decompor, vai soltar as proteínas do amido e essas proteínas voltariam para a planta?, explica, ao revelar que a pesquisa durou um ano.