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MORADORES RELATAM DRAMA VIVIDO

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Quando a chuva começa, os moradores das encostas e grotas se preparam para o pior. Entre alagamentos, que invadem as residências, e deslizamentos de barreiras, que arrastam tudo pela frente, centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade se viram como podem. Em Maceió, durante uma semana, a reportagem da Gazeta de Alagoas percorreu áreas de risco e descobriu que o fantasma da incerteza paira sobre as comunidades. Na comunidade do Flexal, localizada no bairro de Bebedouro, a reportagem encontrou o casal José Sebastião e Maria José Lima da Silva, que estava meio da rua, na chuva e olhando para o alto. Ao serem questionados sobre os motivos que o levaram a ficar de prontidão do lado de fora de casa, eles disseram que ?estavam pensando em uma solução para remediar o possível deslizamento da barreira?. ?A gente não sabe quando a chuva vai parar e ficamos com medo. À noite é ainda pior porque a gente não dorme. Eu mesma fico vigiando para não ser surpreendida com um desabamento. Além da própria barreira, as pessoas constroem de forma irregular. Um muro em cima da barreira, capaz de cair?, desabafou Maria José da Silva. SOFRIMENTO E DOR Morando há mais de 40 anos na localidade, José Sebastião e Maria José relatam que já presenciaram tragédias. ?Construí minha vida toda aqui. Sou pescador aposentado. Criei meus nove filhos no Flexal. No período da chuva, ficamos assustados porque já presenciamos tantas tragédias ? em cima e em baixo. Uma delas foi a que resultou na morte de mais de cinco pessoas da mesma família, que foram soterradas. Lembro-me como se fosse hoje, eu estava pescando com um colega, que era da família dos soterrados, quando tudo aconteceu. Até hoje, os restos mortais de uma das vítimas não foi encontrado?, contou José Sebastião. Ao lembrar da situação, Maria José demonstra tristeza e, com gestos, fica desnorteada ao contar que corpos estavam espalhados pela rua em meio a chuva.

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