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“MESMO COM RISCOS, � POSS�VEL CONSTRUIR EM ENCOSTA”

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A ocupação dos espaços de grotas e encostas, segundo aponta o arquiteto e urbanista Geraldo Majela Gaudêncio Faria, foi iniciada no século XIX na fundação da cidade e das vilas, quando a população de baixa renda ou que não tinha renda, que eram denominados como ?os excluídos?, passaram a migrar em busca de oportunidades. ?Quando a população começou a crescer por migração do campo para a cidade em busca de emprego, eles, evidentemente, precisaram de um espaço para construir suas casas. E onde eles encontraram espaço? Nas grotas, que são espaços desprezados. Não entendo porque, tendo em vista que são espaços ricos, naturalmente falando?, pontuou Geraldo Faria, que é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Sobre a atual situação das grotas, ele defende a naturalização das áreas. ?O ideal seria mantê-las em áreas florestadas. Em um ambiente de reprodução da fauna e da flora. Tem toda uma fauna e flora urbana. Não existe só gente na cidade, existem animais, como o bicho preguiça, pássaros, saguis e outros. E eles são fundamentais para a vida e seria um processo de integrar as grotas ao cenário urbano por meio de reservas ambientais?, defendeu Faria. Com relação às encostas, de acordo com o professor, a vegetação segura e, assim, pode evitar deslizamentos. ?A vegetação retarda a água chegar ao chão. As folhas ficam retendo a água e seria uma maneira de evitar as tragédias. A médio e longo prazo seria uma solução mais barata. Mas, como o solo está bem deteriorado, o trabalho teria de ser repensado, porque, veja só, um dos problemas das encostas é que não tem como o caminhão do lixo chegar até o topo e, assim, as pessoas despejam o lixo nas encostas?, salientou o professor.

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