Cidades
ESQUEMA ENVOLVE MOTORISTAS E POLICIAIS
A Polícia Civil diz acreditar que, após as prisões da operação Sem Fronteiras, no início de maio, a incidência de roubos de cargas tenderá a diminuir não somente em Alagoas, mas no Nordeste. A organização criminosa desarticulada era, segundo os investigadores, responsável por vários episódios desta natureza nos estados onde atuava. Treze pessoas foram presas, entre elas um vereador, empresários e um policial militar. Dois galpões lacrados e com carga foram descobertos em Pernambuco. O material foi avaliado em R$ 10 milhões. Também foram apreendidos, durante os cumprimentos dos mandados, R$ 17.800 reais e quase R$ 1 milhão em cheques. Conforme o delegado Guilherme Iusten, há, no entanto, algumas épocas do ano em que os registros de roubos de cargas aumentam, a exemplo do período natalino e próximo ao Dia das Mães e dos Namorados, justamente quando as vendas no comércio aquecem. Os integrantes destas quadrilhas têm muito dinheiro e, frequentemente, são empresários que passam a ter grandes negócios de forma repentina, criando também uma rede de segurança, inclusive com suporte de policiais. Na ação Sem Fronteiras, o militar foi preso em Garanhuns-PE por integrar o grupo e ser o responsável por repassar ao bando as estratégias do poder público de ostensividade e também cumpria o papel de segurança. ?O crime é uma engrenagem. A depender do nível social, estas organizações atuam de diversas formas. O roubo de cargas tem ação violenta e também pode acontecer por meio do aliciamento dos caminhoneiros. A quadrilha interceptada em Pernambuco e Alagoas usava a força para dominar, mas outra, que está sendo investigada pela Polícia Civil de Alagoas agora, tenta convencer o caminhoneiro de que é mais vantajoso entregar a carga em troca de um valor que é, muita vezes, bem superior ao que o trabalhador ganha somente para frete das mercadorias?, relata Iusten. Com os veículos possantes e esbanjando luxo, os bandidos interceptam os condutores e lhes apresentam os argumentos de que precisam para conseguir ficar com a carga milionária em troca do repasse de um valor para omitir o roubo. O caminhoneiro aliciado, quando descoberto, é enquadrado na organização criminosa, responde por falsa comunicação de crime (ele vai a uma delegacia e chega a registrar um Boletim de Ocorrência) e também pode ser enquadrado por roubo e estelionato.