Cidades
PEDALANDO PARA SOBREVIVER
Muita gente depende da bicicleta para sobreviver e sustentar a família. É o caso do comerciante Gilson Afonso Ramos, 38 anos, de Maceió. Há mais de dez anos trabalhando em cima de uma bicicleta, ele vende água, pipoca, biscoito e confeitos pelas ruas do centro. ?O faturamento não é alto (R$ 200 por mês), tem meses em que passo por muito aperto financeiro, mas é o trabalho que está ao meu alcance?, conta. Casado, ele mora com a esposa e a mãe dele no Vergel do Lago, em casa alugada. É o único da família que trabalha. ?Eu já vendi quentinha, já vendi pizza, sanduíche e fui me adaptando com a situação que estava vivendo. Quando comecei, eu só tinha um isopor. À medida que as vendas foram melhorando, eu comprei uma bicicleta e esse meio de transporte sempre foi o melhor para mim devido ao pouco gasto?, conta. Ele já possuiu três bicicletas, todas compradas de segunda mão. ?Já cheguei a comprar uma bicicleta por R$ 300?, relembra. Pedalando para um lado e para o outro, ele está sempre sob pressão, no centro da capital. ?Já fui pego algumas vezes pela fiscalização. Levaram meus produtos, minha bicicleta, e para recuperar o meu transporte tive que pagar multa. Então, eu ando atento para não ser pego novamente?. Antônio José da Silva, 59 anos, morador do Bom Parto que vende sopa, café e munguzá na Ponta Verde é outro que depende da bicicleta para se sustentar. Diz que o faturamento mensal de até R$ 800 por mês é suficiente para pagar a diária do aluguel da bicicleta e cobrir suas despesas, já que não constituiu família. ?Eu não tenho do que reclamar. Antes, vendia minhas comidas no centro, mas saí de lá devido à fiscalização que era intensa. Hoje em dia, não me preocupo mais com isso, consigo vender com tranquilidade. Minha sobrinha é dona da bicicleta, faz as comidas e eu venho todos os dias aqui para vender. Já me acostumei a essa vida?, destaca ele, que sofreu acidente anos atrás e tem limitação para movimentar uma das pernas. ?Com isso, ficou difícil conseguir um emprego regular, então passei a me virar como vendedor ambulante?, reforça ele, que prefere revender a comida e utilizar bicicleta alugada. ?Já trabalhei para três donos de bicicletas?. Ele diz já estar acostumado a pedalar os mais de 8km entre sua casa e a Ponta Verde. * Sob supervisão da editoria de Cidades.