Cidades
FILHOS DAS DROGAS E REF�NS DA VIOL�NCIA
Os adolescentes T. e G., de 16 e 18 anos respectivamente, entraram juntos na Unidade de Inclusão Social (UIS). Ambos estavam internados em uma clínica de reabilitação no município de Marechal Deodoro quando, em setembro de 2016, mataram um dos jovens que dormiam no mesmo alojamento que eles. O motivo, segundo T., foi que a vítima estava se masturbando enquanto os demais dormiam. Isso, para eles, era uma atitude inaceitável. T. contou que entrou na clínica porque ?cheirava cola pelas ruas de Maceió?. Com apenas 16 anos, ele relata que já tinha experimentado outros tipos de drogas e foi levado compulsoriamente para a clínica de reabilitação. Após três meses internado, ele cometeu o homicídio. ?Eu estava dormindo, quando os meus colegas me acordaram e contaram o que ele estava fazendo, fui na onda deles, e fiz o que fiz?. Com as palavras aprendidas na rua, ele relata com detalhes como cometeu o crime. ?Peguei uma camisa, coloquei na cara dele, coloquei um travesseiro, enquanto os outros bateram nele e o enforcaram. Assim que ele desmaiou, os ?caras? começaram a ?espetar? até que ele morreu?. Mesmo com o jeito duro, daquele que aprendeu que é preciso fazer qualquer coisa para sobreviver nas ruas, T. mostra que há o desejo de ter outra vida, ser um adulto diferente e afirma ter se arrependido do que fez. ?Me arrependo do que fiz. Fui na onda dos outros e acabei fazendo ?esse homicídio aí?, mas eu não queria fazer. Depois até fiquei pedindo perdão a Deus pelo o que fiz, mas infelizmente aconteceu?. Ele conta que já pediu autorização para a superintendente de Medidas Socioeducativas da Seprev, Denise Paranhos, para não sair da unidade. T. tem medo de voltar às ruas. ?Eu não quero sair daqui, porque não quero voltar para as drogas. Não tenho para onde ir e sei que vou ser influenciado por coisas ruins e voltar a cometer crimes?.