Cidades
M�dicos podem perder registro
O médico André Born, um dos acusados no esquema criminoso que dava diagnósticos falsos de glaucoma para desviar recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), transferiu seu registro de Alagoas para o Conselho de Medicina de Goiás. A suspeita da Polícia Federal é de que o médico se preparava para montar o mesmo esquema criminoso naquele estado. Diante disso, o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) não poderá processá-lo. Mesmo assim, a entidade decidiu solicitar à Polícia Federal (PF) uma cópia do inquérito que investiga o crime, para ver se há outros médicos alagoanos envolvidos na fraude. Ontem, o delegado Daniel Granjeiro, responsável pela Operação Hoder, que desmontou a fraude, disse que pessoas que foram atendidas pelo Instituto de Oftalmologia de Alagoas (Iofal), que pertence a André Born, e foram lesadas no esquema devem procurar a PF. O delegado Granjeiro afirmou ainda que, embora tenha mais 20 dias para dar continuidade às investigações, solicitará prorrogação do prazo para conclusão do inquérito. ?Além de exames periciais, solicitamos ao Denasus [Departamento de Auditoria do Sistema Único de Saúde] que sejam auditados todos os pagamentos efetuados a essa clínica, em Alagoas, Bahia e Sergipe, para obtermos mais elementos de prova?, revelou. Somente em Alagoas, os mutirões realizados pelo Iofal atenderam a mais de 10 mil pessoas, todas diagnosticadas com glaucoma. Segundo a PF, os pacientes recebiam um diagnóstico falso de glaucoma e eram orientados a usar colírios, cujo preço chega a R$ 110. Numa reportagem divulgada domingo, 25, no programa Fantástico, da TV Globo, o esquema foi inteiramente revelado. A denúncia feita por um médico, que se negou a participar da fraude, cuja identidade foi preservada, mostrou que, feito o ?diagnóstico?, a quantidade prescrita de colírio, forma de tratamento do glaucoma, era sempre acima do necessário. Os pacientes que recebiam o tipo de colírio mais barato eram induzidos a assinar declaração de que recebiam o medicamento mais caro. Há ainda os casos em que o paciente sequer recebia a medicação, mas seus dados eram usados em fichas com assinaturas falsificadas. ?Se a auditoria do Datasus identificar irregularidades, outras pessoas serão ouvidas, faremos novas diligências e perícias?, adianta o delegado Daniel Granjeiro. Até o momento, apenas cinco pessoas estão denunciadas na operação Hoder, mas, acrescenta, o universo de envolvidos pode ser muito maior.