Cidades
Incra anuncia prioridade�para novos assentamentos
FÁTIMA ALMEIDA A posse do agrônomo Mário Agra, no cargo de Superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL) levou ao auditório da OAB, na manhã de ontem, vários representantes de partidos políticos, secretários de Estado, deputados, membros do Tribunal de Justiça e representações dos movimentos sociais, entre eles trabalhadores rurais sem-terra. Ele é o terceiro nome do PT a ocupar a direção de órgãos federais em Alagoas (foi precedido de Ricardo Coelho, na DRT, e Ricardo Valença, na Funasa) e promete administrar o órgão em consonância com os movimentos, priorizando novos assentamentos e investindo na recuperação dos existentes. A tarefa não é fácil. A história mais recente do Incra, em Alagoas, registra uma relação conflituosa entre o órgão e os movimentos dos sem-terra e até com os funcionários. Um histórico de protestos, interdição de rodovias, invasões de terras e do próprio prédio do Incra, pelos trabalhadores rurais, apontam a diretoria do Incra como uma verdadeira ?batata quente?. Mas o novo superintendente não pensa assim. ?O segredo é saber dialogar, tratar com respeito e responsabilidade as questões agrárias e o movimento, e agir?, acredita. Nesse caminho, Agra iniciou, antes mesmo de ser nomeado, várias conversações com os movimentos e com outros setores que considera indispensáveis para o trabalho do Incra. Na semana passada, ele visitou o Tribunal de Justiça, com o ouvidor Agrário Nacional, e conseguiram o compromisso de criação da Vara da Reforma Agrária, em Alagoas, com a nomeação de juizes agrários. ?Os embates que teremos pela frente serão grandes e acreditamos que os juizes das comarcas, com suas atribuições, não terão condições de responder à demanda que surgirá?, explica. Prioridades nacionais Esta semana, Agra esteve, também, em Brasília, participando de uma reunião nacional do Incra para a construção das prioridades. A meta nacional é assentar 60 mil famílias, este ano, e recuperar 40 mil assentadas. Segundo ele, nos oito anos de governo FHC, foram assentadas 500 mil famílias, mas o déficit financeiro e social que ficou foi enorme. ?Há um débito nacional de R$ 1 bilhão e 300 milhões deixado para o governo Lula. Dessas 500 mil famílias assentadas, 400 mil não têm água; 300 mil não têm energia e 200 mil não tiveram sequer o terreno loteado?, explica. Para este ano, o governo dispõe de R$ 1 bilhão 127 milhões para a reforma agrária, mas Mário Agra ainda não sabe quanto caberá para Alagoas. Ficou definido apenas que Alagoas está entre os nove Estados considerados como prioridade para o Incra. Os outros são Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, norte de Minas, Sergipe, Pernambuco e o sul do Pará. Na próxima semana, o novo superintendente do Incra inicia uma série de visitas aos 67 acampamentos existentes no Estado e promete reuniões periódicas com os movimentos.