Cidades
Julho das Pretas debate racismo
O Brasil viu aumentar em 54,2%, na década 2003-2013, o total de assassinatos de mulheres negras. Nesses 10 anos, a estatística saltou de 1.864 mortes, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, informa a pesquisa ?Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil?, o número de mulheres brancas assassinadas caiu de 1.747 para 1.576, o equivalente a 9,8% menos mortes. Dados como esse estão sendo debatidos em Maceió, no evento denominado ?Julho das Pretas de Alagoas?, iniciado ontem, no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), no bairro de Jaraguá, para marcar a passagem do Dia internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, no próximo dia 25. ?A temática da programação são as nossas lutas de enfrentamento ao racismo, à violência e o papel da mulher negra na sociedade?, afirma a socióloga Regina Lopes, uma das organizadoras. Segundo ela, as atividades são dirigidas às mulheres e jovens da periferia da capital, e que têm atuação em suas comunidades. Os debates, que seguem até a próxima quarta-feira, 19, analisam formas de luta para eliminar as desigualdades e discriminações impostas à população negra, que soma 53% dos brasileiros. A baixa representação de negros no Legislativo, Executivo, Judiciário e em todos os níveis de poder é tema norteador das discussões.