Cidades
MARISQUEIROS EST�O DESESPERADOS
Além de despertar o interesse dos pesquisadores, a ausência do molusco causa desespero nos moradores da Favela Sururu de Capote, localizada na zona sul da capital alagoana. Muitos passam fome e enfrentam dificuldades para manter a família. É o que relata a marisqueira Claudiane Santos da Silva, de 34 anos, que têm cinco filhos e depende exclusivamente do molusco. ?Quase quatro meses sem trabalhar porque falta sururu. Estou passando necessidade. Meus filhos pedem as coisas e eu não posso oferecer?, desabafa. Boa parte dos 34 anos da vida de Claudiane foram dedicados ao sururu. ?Eu sempre morei na beira da lagoa. Nasci e me criei no sururu. Comecei ajudando minha mãe?, conta Claudiane Santos. Quando cresceu, Claudiane casou e, depois de um período, passou a só cuidar dos filhos. Porém, em uma determinada curva da vida, ficou viúva. ?Meu marido foi assassinado. Então, eu tive que me virar e voltei a trabalhar com o sururu. Eu me tornei pai e mãe. Também não quis colocar outro homem dentro de casa e voltei a trabalhar com o sururu para sustentar os meus meninos. E, agora, estou enfrentando essa situação difícil?, complementou. Com os olhos marejados e cercada dos filhos e do neto, de apenas 11 meses, Claudiane relata que o pai a ajuda. ?O que eu ganhava da venda do sururu dava para alimentar os meus filhos. Além da falta do sururu, o meu bolsa família foi cortado?, continuou desabafando. Outra marisqueira que, assim como Claudiane, está se virando como pode, Josefa Maria conta que, em 25 anos, essa é a pior crise. ?A gente não tem condições de sobrevivência. Em todo esse período aqui, morando e compartilhando o local de trabalho, eu nunca vi faltar sururu como agora. É triste de ver?, afirma Josefa Maria. Enquanto a reportagem conversava com Josefa e Caudiane, o marisqueiro Willams Tenório, de 32 anos, preparava o pouco sururu proveniente da Ilha do Roteiro. ?A situação está ruim para ganhar dinheiro e pra trabalho. O sururu que tem é de Roteiro e o patrão vai buscar pra gente carregar, cozinhar, limpar e vender?, conta Willams. O marisqueiro conta ainda que passou uma semana parado. ?O dinheiro que eu consigo através do sururu é para tudo em casa: comida, remédio, roupas e outras necessidades básicas para meus filhos?, concluiu o desabafo, Willams.