Cidades
POPULA��O DO MOLUSCO DECLINA H� D�CADAS
O professor Carlos Ruberto Fragoso Junior reforça a importância não somente social, mas econômica do sururu para o Estado de Alagoas. O impacto do sumiço do molusco na Laguna Mundaú não pode ser ignorado, pois, lembra ele, 83% das famílias ribeirinhas são dependentes desta espécie para sobreviver, seja se alimentando dela ou pescando para comercializá-la. O pesquisador conta, ainda, que a degradação ambiental no Complexo Estuarino-Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) atinge de maneiras direta e indireta os cerca de 300 mil habitantes que vivem ao redor das lagoas Mundaú e Manguaba, dentre eles mais de 5.500 pescadores, a maior parte moradores de Maceió. A pesquisa do professor Carlos Ruberto também informa que o extinto Departamento Estadual de Estatística de Alagoas registrou uma produção média anual de 2.725 toneladas de sururu durante o período de 1954 a 1964, tendo registrado uma produção de 5.500 toneladas em 1959. ?No final da década de 80, a produção anual foi de, aproximadamente, 2.500 toneladas. Em 1997, este número caiu para 1.500 toneladas. Não há números oficiais sobre a atual produção anual, mas estima-se que nos últimos 20 anos as 1.500 toneladas que eram produzidas em 1997 tenham sofrido redução de, pelo menos, 25%?, informa o professor Carlos Ruberto. Em anos de cheia, como ocorreu em 2010 e 2017, estima-se que essa produtividade anual pode ter uma redução de 20% em relação à média. ?A produtividade e extração do sururu varia fortemente de um ano para o outro em resposta às mudanças dos padrões de circulação da água dentro do complexo [estuarino-lagunar], dos níveis de salinidade e da poluição. Esta redução sistemática da produtividade do sururu ao longo dos anos se deu, principalmente, em função da degradação da qualidade da água (lançamentos de esgotos de origem doméstica, rural e industrial) e da redução das concentrações de salinidade nas lagoas ? devido à perda de comunicação com o oceano na embocadura e ao assoreamento?, acrescenta Ruberto. Ainda conforme os relatos do pesquisador, as cheias que ocorrem nas bacias hidrográficas nas proximidades do complexo que envolve as lagoas Mundaú e Manguaba também afetam, diretamente, a população do sururu.