Cidades
VOLUNT�RIOS REPARTEM O P�O
Entre os muitos voluntários que ajudam a cuidar e alimentar centenas de moradores de rua de Maceió, duas mulheres chamam a atenção: Márcia Barros e Wilmene Wanderley. São senhoras da sociedade que desempenham atividades estratégicas na Casa de Ranquines. Elas garantem parte do suporte financeiro e ajudam a angariar alimentos. Com apoio das amigas ligadas à Igreja Católica, elas conseguem doações financeiras, além de carnes, verduras e pães para o café da manhã. Além disso, ajudam os voluntários na preparação dos alimentos. O policial civil José Sampaio, 30 anos de profissão, considerado um experiente agente operacional, é outro voluntário que se comoveu com o sofrimento vivido pelas pessoas em situação de rua. Há dois anos, é o segurança da Casa de Ranquines. Sampaio não tinha nenhum tipo de aproximação com moradores de rua. Os olhava com preocupação e, de certa forma, temia reações de violência deles. O seu comportamento começou a mudar por causa da mulher, que frequenta a Paróquia de Santa Rita. A convite dela foi conhecer aquele trabalho social. ?A primeira vez que eu vi mais de duzentos moradores de rua, alguns inclusive drogados, com arma branca, fiquei preocupado. A partir daí, os religiosos voluntários me convidaram para ajudar na segurança dos mais exaltados e evitar as brigas no refeitório. Com o tempo, fui me aproximando deles. Hoje, temos laços de amizade e entendo que nós somos irmãos. A nossa família agora é grande?, disse. O policial atua na porta do refeitório. Faz revistas, desarma alguns, vistoria as mochilas e retira os mais exaltados para permitir que os outros se alimentem com tranquilidade. O clima atualmente é de tranquilo. ?Este trabalho é voluntário. Como pagamento, ganhei novo olhar para as pessoas e para o mundo. Estas pessoas deixaram de ser invisíveis para mim e respeito a vontade de cada um?, admitiu, ao ressaltar que gostaria que todos tivessem uma vida melhor. Reconhece, porém, que isto não depende dele. A dificuldade de alimentação dos moradores de rua ocorre, geralmente nos períodos noturnos e nos fins de semana. Aos sábados, eles conseguem restos de mistura (carne e galinha) no Mercado da Produção. Com as sobras de verduras e doações de feijão e arroz, eles fazem a ?panelada?. A ?cozinha? é na Praça dos Martírios.