Cidades
GENTE COM DIPLOMA TAMB�M MORA NA RUA
O agravamento da crise econômica afetou, inclusive, os profissionais liberais. Administradores de empresa, professores de escolas particulares, economistas e advogados engrossam a imensa lista de trabalhadores com dificuldades de garantir a sobrevivência. Em Maceió, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e o Comitê Intersetorial de Monitoramento de Políticas Municipais de Atenção a População em Situação de Rua (Cimpop) identificam profissionais com nível superior disputando assistência. Esta é a situação do professor Nô Pedrosa, 70 anos, formado em Letras pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), conhecido ex-guerrilheiro dos movimentos de esquerda que lutaram contra a ditadura militar e apoiador de movimentos de trabalhadores sem-terra, sem-teto e sindical. O professor está aposentado, ganha salário mínimo e desenvolve atividade voluntária de limpeza e cuida de crianças numa escola pública municipal, no bairro do Poço. Nô teve a casa roubada, levaram inclusive os dois botijões de gás. O dinheiro que ganha não atende à sobrevivência, por isso passa boa parte do dia na rua. Ele anda maltrapilho, os amigos da intelectualidade desapareceram, as refeições de segunda a sexta-feira faz na Casa de Ranquines. ?Não tenho dinheiro para comprar comida nem para comprar gás. O que eu faço com salário mínimo??, reclamou. Ao ser questionado se os amigos intelectuais e políticos do passado sabiam das dificuldades que estava passando, Nô Pedrosa, com uma bandeja de comida nas mãos e passando pelos moradores de rua no refeitório da caridade, reagiu: ?Meus amigos são esses aqui. Nós estamos na mesma situação: de miséria. Eu preciso comer e eles também?.