Cidades
CRISE EMPURRA BACHAR�IS E T�CNICOS PARA AS RUAS
Conforme dado do Cadastro Geral de Emprego (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o saldo negativo de empregos no mês de junho, que registrou mais de 6.325 demissões em Alagoas, agrava a situação das famílias de baixa renda. O presidente do Comitê Intersetorial de Monitoramento de Políticas Municipais de Atenção à População em Situação de Rua, Daniel Gueiros, confirmou que a crise econômica praticamente ?empurra? as famílias a buscarem alternativas de sobrevivência nas ruas. ?No último levantamento, Maceió registrava mais de mil pessoas morando e vivendo nas ruas. Com o crescimento do desemprego e do número de usuários de drogas, ocorreu a duplicação da população em situação de rua?, disse o advogado. Atualmente, o Cimpop desenvolve planos de ações com órgãos municipais e representantes da sociedade civil em seis frentes e tenta garantir assistência, habitação, emprego, segurança, direitos humanos e educação. ?As ações conjuntas tentam resolver os problemas de cada pessoa de acordo com as necessidades e vontades individuais. A ideia é reinseri-las na sociedade, na cadeia produtiva, garantir a vida com mais dignidade e estabelecer segurança. Não é porque as pessoas estão em situação de rua que elas terão suas dignidades e necessidades suprimidas?, afirma. As pesquisas sociais do Cimpop constataram que a população de rua é formada por usuários de drogas, pessoas com vínculos familiares fragilizados, trabalhadores rurais ou da zona canaveira que ficaram desempregados, outras que vieram tentar a sorte na capital mas não têm qualificação profissional, além de doentes com problemas psiquiátricos e dependência química. Entre os moradores, o Comitê encontrou até um professor e um advogado. Na população de rua, o maior número é de adultos jovens e de usuários de drogas. ?Nos últimos anos a gente percebe que entre os moradores de rua tem técnicos, profissionais da construção civil, liberais e bacharéis. Na Praça dos Martírios [em frente ao Museu Floriano Peixoto, antiga sede do governo estadual] tem um advogado morador de rua?, disse Daniel Gueiros, preservando o nome do colega e as condições que o levaram a viver nesta situação.