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EX-VICIADA EM DROGA PERAMBULA PELA ORLA

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A rua é democrática: pode dar o pão e a liberdade como aguçar a dor da solidão e transformar cidadãos em seres minúsculos. Revela histórias de vida que a maioria de nós nunca conhecerá. Uma delas é a da dona Carmem Rejane da Conceição, que não sabe a idade que tem. Pernambucana, ex-cortadora de cana e ex-usuária de droga que já tentou matar o próprio irmão duas vezes e traz nos olhos uma amargura sem fim. Também sofreu agressões, apanhou de conhecidos e desconhecidos. Há anos perambula pela Jatiúca, bairro da parte baixa que reúne importantes estabelecimentos e serviços para os maceioenses. Na frente de uma agência bancária recebe as moedas da caridade de alguns. Acorda, come e dorme por ali. Chegou a cuidar de cinco crianças ? nenhuma era sua ? todas filhas de uma parente que foi presa. Agora vive só e ainda alimenta o sonho de ter uma casa para morar, viver sozinha, de preferência. ?Uma vez um homem me chutou. Tava sentada na frente de uma padaria em Jaraguá e ele veio de lá ?lombrado? virado na peste e me chutou. Não tenho medo não. Não tenho medo de nada. Se botarem pra mim, eu boto também. Se me derem um tapa, eu dou também?, desafia a senhora de voz firme. Diz que resolveu por conta própria abandonar a família, após ser vítima ? ano após ano ? de agressões físicas. ?Davam muito em mim. Irmão, tudo. Minha família são vocês da rua. Eu queria matar meu irmão, tentei duas vezes, mas ele não morreu. Agora não sei nem se ele está vivo ou morto?. Morador de rua, sem-teto e população em situação de rua. As expressões até mudaram com o tempo, mas não acabaram com esse grave problema social. ?Tecnicamente se fala pessoa em situação de rua. A rua não é moradia. Então espera-se que saiam dessa situação, porque a rua não é lugar de habitação. Para o poder público, a gente não pode admitir que a pessoa esteja permanentemente na rua?, afirma a secretária de Assistência Social de Maceió, Celiany Rocha.

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