Cidades
ELA ESTÁ NO COMANDO DE 140 MILITARES
Inserida no total de 7,6% das mulheres militares no Brasil, ?quebra de paradigmas? é a expressão que Camila Paiva gosta de usar quando fala sobre sua vida profissional. Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros de Alagoas, aos 34 anos a oficial é a única mulher brasileira a presidir uma associação militar no Brasil, a Associação dos Bombeiros Militares de Alagoas (ABMAL). Além disso, ela foi a primeira oficial feminina do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CB/AL), a primeira colocada no concurso e a primeira mulher a comandar uma área operacional, sendo atualmente a responsável pelo Grupamento de Incêndio do CB/AL. Nenhuma das etapas foi fácil, mas a Tenente Coronel aceitou o desafio. ?Quando eu assumi a presidência da associação, todos ficaram surpresos. O presidente é quem representa uma classe, e algumas pessoas estranham uma mulher representar uma categoria onde a maioria é homem. Quando eu comecei a desempenhar esse papel foi desafiador?, conta. Uma das dificuldades, de acordo com a oficial, foi o fato da construção do meio militar ser masculina, gerando uma resistência após sua nomeação para o comando do Grupamento de Incêndio. ?É mais uma prova de que a nossa sociedade é machista e que ainda temos muito a vencer em relação a isso. Já ouvi coisas como: Por que ela está na luta de classes? Se tivesse educação doméstica estaria em casa com os filhos?, relata. Quando perguntada sobre o motivo pelo qual ela acredita ser a única mulher do país nessa função, a tenente diz que tudo é uma questão de construção. Ela conta que sempre apoiou as lutas de classes e buscou por melhorias nas condições de trabalho dentro da corporação. ?Sinto-me muito orgulhosa, sim, não de mim, mas do amadurecimento da classe ao longo desses anos. Conseguiram enxergar em uma mulher uma representante para eles?, disse. Ela acrescenta que o resultado é fruto do amor que tem pelo trabalho em prol da sociedade. Apesar da resistência inicial, a militar explica que sente muito respeito e confiança de sua tropa. Ela acredita que a partir do momento em que a tropa viu seu trabalho, comprometimento e seriedade, as barreiras que ainda existiam foram derrubadas. Pioneira em várias áreas de sua corporação, quem vê o grande engajamento da oficial não imagina que ser bombeira não estava nos seus planos desde a infância. ?Nunca pensei em ser militar, queria ser médica. Meu pai é coronel da reserva dos bombeiros e me encorajou a fazer o concurso em 2002, o primeiro em que as mulheres puderam concorrer?, explicou. Ela passou em 1º lugar e aos 18 anos foi morar em Pernambuco, onde era realizado o curso, com sistema de internato, e teve a duração de três anos. *Sob supervisão