loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Renais comemoram 20 anos de transplantes em AL

Ouvir
Compartilhar

FÁTIMA ALMEIDA O transplante de rins é o tratamento mais adequado para prolongar a vida de pacientes com problemas renais, com melhor qualidade. Sem o transplante, eles são submetidos a uma rotina dolorida e quase diária de hemodiálise para continuar sobrevivendo à falência dos rins. O problema é que a maioria dos pacientes perde a vida em intermináveis e inalteradas listas de espera de doadores mortos, quando poderiam conseguir, no próprio ambiente familiar, um doador compatível vivo que lhe aliviasse o sofrimento. Com o objetivo de conscientizar a sociedade e os próprios pacientes renais a considerarem a segunda alternativa e lutarem por ela, transplantados e nefrologistas do Centro de Nefrologia de Maceió fizeram ontem uma comemoração simbólica do aniversário de 20 anos do transplante de João Barros Acioly, segundo eles o mais antigo transplantado vivo de Alagoas e um dos mais antigos do Nordeste. Eles se reuniram, apagaram velinhas, cortaram bolo e conversaram com a imprensa. ?Queremos chamar a atenção das pessoas para a possibilidade de um tratamento muito mais eficaz, que às vezes está do nosso lado?, diz o nefrologista Miguel Arcanjo Barbosa. É o caso do radialista Manoel Messias. Ele fez o primeiro transplante há 15 anos. Recebeu o rim de uma irmã. Há dois meses o órgão faliu novamente e ele já se prepara para uma nova operação. Outra irmã será a doadora. Jaudir Freitas também conseguiu sair da lista de espera há 18 anos, graças à solidariedade de uma doadora viva. Recebeu um rim de sua esposa. ?Antes eu vivia em função da doença, com sessões de quatro horas de hemodiálise, três dias por semana, não podia nem trabalhar. Hoje eu levo uma vida normal porque a doença está sob controle?, comemora Jaudir. Para o médico João Cubas a quantidade de transplantes ainda é pequena porque a maioria dos pacientes fica esperando o transplante de cadáver. ?É preciso que haja esse estímulo. Que cada um busque entre os próprios parentes, ao seu redor, a solução para o seu problema?, diz ele. Segundo os nefrologistas Miguel Arcanjo e João Cubas o transplante não é sinônimo de cura. O paciente transplantado continua submetido a cuidados médicos constantes e usa uma série de medicamentos pelo resto da vida. ?É uma forma de colocar sob controle um problema de saúde antes incontrolável?, explicam eles, destacando que esse tratamento é muito mais humano, prolonga a vida do paciente acrescentando-lhe qualidade. Sobrevivência Eles explicam que os transplantes apenas são indicados depois de consideradas ou excluídas todas as outras terapias e o transplante constitui a única alternativa de sobrevivência ou de melhoria de qualidade de vida. As chances de sucesso, respondem eles, são muitas. Mas dependem de particularidades de cada pessoa. ?Tem pessoas no Brasil que fizeram transplante há mais de 25 anos, constituíram família e levam uma vida normal?. Os médicos recomendam aos pacientes que precisam de um rim, medula ou parte do fígado a considerar a possibilidade de encontrar um doador entre familiares e amigos. ?Os possíveis doadores devem ser submetidos a uma bateria de exames de compatibilidade para determinar essa possibilidade?, explicam. Os critérios de compatibilidade considerados são a sangüínea, de tecidos, peso e tamanho do órgão. Os riscos do transplante são os mesmos de uma cirurgia de grande porte, acrescentados da possibilidade de rejeição do órgão, que ocorre na maioria dos transplantes. Mas quando indagados se os riscos e os sacrifícios valem a pena, os transplantados são unânimes: a vida está muito melhor depois do transplante.

Relacionadas