Cidades
Uma pessoa deprimida precisa ser ouvida
Os dados são alarmantes: em todo o ano de 2016 até julho de 2017, o Hospital Geral do Estado (HGE) atendeu 435 casos de pessoas que tentaram o suicídio. Somente no primeiro semestre deste ano, o número de ocorrências desse tipo somou 166 tentativas. O caso mais recente foi o suicídio da jovem Keyth Evelin Pereira Alves de Araújo Lago, 33 anos. A médica Delza Gitaí confirma que a depressão é uma doença que pode levar ao suicídio. Não significa, esclarece ela, que todo deprimido é um suicida, mas que a doença pode provocar o que os especialistas chamam ?ideação suicida?. Ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas, Gitaí está, inclusive, à frente de um grupo de voluntários para criar, em Maceió, o Centro de Valorização da Vida (CVV), um serviço que já existe em quase todo o país. No Nordeste, somente Alagoas ainda não dispõe do CVV, informa a médica, para quem esse tipo de assistência pode ajudar a reduzir o número de suicí- dios no Estado. ?Se a causa foi essa, não foi pela gravidez, parto ou pelo bebê, mas pela depressão. A pessoa deprimida não quer morrer, ela quer se livrar do sofrimento que a doença provoca?, explica Delza Gitaí. A médica informa que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos suicídios são evitáveis, ou seja, não ocorreriam se houvesse assistência à pessoa. A mesma OMS revela que o Brasil é o país campeão mundial do transtorno de ansiedade e o quinto em número de pessoas com depressão. ?Uma pessoa deprimida, com ou sem ideação suicida, precisa ser ouvida, sem julgamento, sem que se diga o que ela tem de fazer?, orienta Gitaí. Segundo ela, a família, os amigos e quem mais convive com o deprimido, podem perceber nele sinais como desmotivação, retraimento, manifestações pessimistas, desinteresse por viver.