Cidades
PARTIDA PODE SER CALMA E HUMANIZADA
Maria do Carmo de Brito sempre cuidou da saúde. Havia perdido a mãe para o câncer de mama e fazia o preventivo todo ano. Então, em 2015, quando ela começou a ter um sangramento, mesmo já tendo entrado na menopausa, não imaginou que pudesse ser algo mais sério. Mas, após vários exames, Maria do Carmo descobriu que tinha câncer. E não um, mas dois tipos diferentes da doença. ?Um poderia ser operado e tratado; o outro, não?, diz Maria Luciana de Brito Ferreira, filha dela. Começava ali a luta pela vida. Pela vida na sua forma mais urgente, que se aproxima do final, mas que pode ser serena, com alívio da dor e cercada de amor. Maria do Carmo recebeu atendimento no Hospital Universitário e assistência em cuidados paliativos da equipe do médico Anderson Acioli Soares, geriatra e paliativista com residência e mestrado pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, de Recife. ?No momento que o paciente se encontra com uma doença crônica, progressiva e que ameaça a vida, a gente precisa entender suas prioridades e objetivos. Embora não se vislumbre a cura da doença, com os cuidados paliativos nós podemos dar oportunidade à pessoa de viver com qualidade, com funcionalidade, de viajar, dirigir, almoçar com a família aos domingos?, afirma Anderson. No último mês de março, o médico iniciou a implantação do Serviço de Cuidados Paliativos aos Pacientes Oncológicos do HU. Na casa da filha, onde ficou até o final, Maria do Carmo recebeu os cuidados paliativos da equipe do HU, que faz visitas semanais aos pacientes que recebem essa assistência. ?Ela ficou na minha casa e os parentes e amigos iam visitá-la. Lá, ela também recebeu acompanhamento da equipe do hospital. Ela foi bem assistida, não morreu com dor, foi uma morte calma, humanizada, com as pessoas que ela amava por perto. Segurei a mão dela até o fim?, lembra Luciana.