Cidades
SERVIÇOS OFERECIDOS AINDA SÃO POUCOS E EXIGEM ATENÇÃO
Esse olhar mais humanizado, que se detém na pessoa e não na doença, buscando qualidade de vida e alívio do sofrimento do paciente e da família, cresceu no Brasil nos últimos anos e luta por espaço em Alagoas. De acordo com a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, ?ainda são poucos os serviços de Cuidados Paliativos no Brasil. Menor ainda é o número daqueles que oferecem atenção baseada em critérios científicos e de qualidade. A grande maioria dos serviços ainda requer a implantação de modelos padronizados de atendimento que garantam a eficácia e a qualidade?. Dados da Academia, fundada em 2005, em São Paulo, mostram que as discussões sobre o tema no Brasil começaram ainda na década de 70, mas os primeiros serviços organizados e de forma experimental só foram aparecer nos anos 90. Nesse período, a Escola Paulista de Medicina ofereceu os primeiros cursos e atendimentos com filosofia paliativista. Outra inciativa pioneira partiu do Instituto Nacional do Câncer, que em 1998 inaugurou um hospital exclusivo para cuidados paliativos. Em Alagoas, o cenário não é muito diferente. Iniciativas isoladas de cuidados paliativos começaram a surgir também no final da década de 90. O médico oncologista e paliativista André Luiz Pereira Guimarães, idealizador da Unidade do Câncer de Alagoas (Unica), ONG que funcionou por cerca de 13 anos, relata: ?Ouso dizer que nossa equipe da Unica foi a primeira, ainda no final dos anos 90, a trabalhar com cuidados paliativos no Estado. A Unica chegou a atender, gratuitamente, mais de 2 mil pacientes e aqui nas nossas instalações morreram, com dignidade e com tudo o que os cuidados paliativos fazem e nos ensinam, mais de 600 pacientes. Infelizmente, sem o apoio do governo e da sociedade civil, tivemos que fechar a ONG?, lamenta. Em 2007, a abordagem começou a ser implantada na rede particular de saúde, com foco na assistência domiciliar dos pacientes oncológicos. E, apenas em abril de 2017, a rede pública de saúde, por meio do Plano Estadual de Oncologia, deu início às discussões para disponibilizar os cuidados paliativos aos pacientes que têm câncer e são atendidos pelo SUS. O trabalho inclui profissionais da Atenção Básica, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, Hospital Universitário e Hospital Geral do Estado. Mas o acolhimento não se restringe a pacientes com câncer. ?Cuidado paliativo é a assistência integral e ativa aos pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo. Podem ser oncológicas ou uma sequela grave de AVC e, ainda, doenças em fase avançada, como insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, Alzheimer e doenças neurológicas degenerativas, por exemplo?, afirma a geriatra e paliativista Ronny Roselly Domingos. Dra. Ronny diz que a equipe que trabalha com cuidados paliativos deve ser a mais diversificada possível. ?Deve ser composta pelo médico, enfermeiro, assistente social, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, orientador espiritual, farmacêutico e terapeuta ocupacional?.