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MISÉRIA NO DIQUE ESTRADA PARECE FORA DE CONTROLE

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A imagem da orla lagunar de Maceió é de miséria absoluta, semelhante à dos países mais pobres de África. Os barracos invadem a Avenida Senador Rui Palmeira, principal via da região. Mais de mil famílias vivem em condições subumanas: em barracos estreitos feitos com restos de papelão, de plástico e de madeira velha, sem banheiro, sem água encanada, com rede elétrica improvisada. Os habitantes são vítimas do desemprego, do analfabetismo e dependentes de programas sociais. Os moradores das quatro maiores favelas da orla lagunar evitam contato com jornalistas e se sentem reféns do tráfico de drogas. A maioria sobrevive da catação de material reciclável, de pequenos biscates ou do sururu. Com o agravamento da crise econômica, a situação em torno do trecho de oito quilômetros do Dique Estrada piora a cada dia. Os barracos surgem a todo instante. A violência também se multiplica na mesma velocidade e, segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Lima Júnior, e o comandante do Policiamento Preventivo e Ostensivo da área, coronel Rocha Lima, a maioria dos crimes está ligada ao tráfico de drogas, à disputa entre grupos rivais. A polícia se mantém presente, mas é impotente para resolver problemas de desemprego e outros dramas sociais. A região fica no coração do bairro do Vergel do Lago, área de trabalhadores da zona sul da cidade, com 31.538 habitantes, segundo dados do IBGE, cercada por bolsões de miséria, de trabalhadores de baixa renda e bem próximo ao centro comercial de Maceió. A situação no Dique Estrada é considerada pelas autoridades como a mais crítica, do ponto de vista social. Parece fora de controle. No local, impera a lei do silêncio. Sem alternativas, as famílias tentam sobreviver como podem. Levantamentos feitos por técnicos da Prefeitura de Maceió revelam que a população do Dique Estrada é formada por desempregados e retirantes da zona rural que vieram com as famílias tentar a sorte na capital. Tem ainda ex--moradores que ganharam casa nos anos 90 em conjuntos populares no bairro do Benedito Bentes e voltaram a morar nas favelas do entorno da Lagoa Mundaú por falta de opção de trabalho nas áreas afastadas da lagoa. Convivendo com esta situação tem ainda mais 300 famílias de marisqueiros que, há quatro meses, estão sem trabalhar. Com as chuvas que caem desde maio, o pescado praticamente desapareceu e o mesmo aconteceu com o sururu, que é a fonte de renda de todos na região. O marisqueiro João Lima Santos, de 42 anos, pede para a Colônia de Pescadores e as autoridades locais implantarem o programa de ?seguro defeso? do sururu.

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