Cidades
OCUPAÇÃO DESORDENADA E POLUIÇÃO AGRAVAM SITUAÇÃO
Os técnicos da Prefeitura de Maceió estudam soluções para recuperar 28 quilômetros de orla lagunar de Maceió. O trecho entre os bairros do Pontal e Rio Novo tem favelas por todos os lados. As invasões se multiplicam. Canais de esgoto despejam dejetos in natura sem parar nas margens da lagoa, contribuindo para o assoreamento e ameaça de extinção de peixes tradicionais como a tainha, curimã e mororó. Os crustáceos e moluscos que eram encontrados em abundância nas margens também estão ameaçados. Os problemas sociais ficam mais visíveis no trecho do Dique Estrada onde os barracos já invadem a Avenida Senador Rui Palmeira. Mas há favelas em palafitas nos bairros Mutange, Bom Parto, Bebedouro, Fernão Velho até o Rio Novo. As comunidades também contribuem com a poluição no complexo, porque estas regiões não têm sistema sanitário eficiente. O presidente da Colônia de Pescadores Z-5, Manoel Messias Pereira Lopes, confirma que a poluição e a ocupação desordenada ameaçam agravar a crise social nas margens da lagoa. ?Apesar das agressões ambientais, a lagoa ainda resiste. Mas o pescado e o sururu estão desparecendo e a miséria amentando?, lamentou um dos líderes de três mil pescadores. O prefeito em exercício de Maceió, Marcelo Palmeira (PP), lembrou que a gestão Rui Palmeira (PSDB ? prefeito licenciado) vem executando o maior programa de habitação popular na cidade. ?Já foram entregues mais de 10 mil unidades habitacionais. Apesar do número representativo, isto é pouco para atender a quantidade de famílias que precisam de moradias dignas?, reconhece Marcelo Palmeira ao adiantar que equipes técnicas buscam soluções para problema de moradia social e para a construção de casas populares perto da Lagoa Mundaú. A prefeitura dispõe de estudos e relatórios indicando que alguns dos moradores da área já ganharam casas em bairros distantes da lagoa, venderam os imóveis e retornaram as favelas. ?O que a gente percebe é que não adianta tirar aquelas famílias dali e relocá- las para bairros distantes, como o Benedito Bentes, ou em outras áreas da parte alta da cidade. Temos que contemplar as famílias para que elas permaneçam de forma organizada naquela região, assim evitaremos os problemas de ocupação desordenada como o que ocorre hoje?.