Cidades
Ambulantes são notificados para deixar ruas do Centro
Nilson Bitinho é um dos inúmeros ambulantes que receberam o seguinte ultimato da Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social: deixar a Rua das Árvores até o próximo dia 26. ?Só não sei para onde é que vou?, confessou, ontem à tarde. ?Estou aqui há mais de dez anos. Daqui retiro o sustento de minha família. Se não puder ficar, que arrumem um lugar para vender meus discos?. Nilson, 50 anos, é uma das dezenas de ambulantes que ocupam calçadas e trechos da Rua Ladislau Neto, a Rua das Árvores, há muitos anos. Miram o constante fluxo de pedestres e de clientes. Cada um tem seu ponto ?fixo?. Nilson, por exemplo, improvisou sua lojinha ao redor de uma das centenárias árvores que deram nome ao logradouro onde comercializa seus CDs e DVDs há mais de uma década. ?Compro por R$ 0,90 e revendo por R$ 2 cada disco. Quando o movimento está bom, faturo legal. Atualmente, a situação tá preta. No máximo, faturo R$ 100 por semana. É muito pouco?, lamenta. À Gazeta ele exibiu a notificação da Prefeitura de Maceió. Que pensa sobre? ?Não acho certo, não. Acho que a gente deveria ficar por aqui?, comentou. ?A gente precisa sobreviver com dignidade?. Entre os que revendem frutas, verduras, legumes, raízes, flores e vestimentas, imigrantes senegaleses também aproveitam o espaço do Centro para revender relógios de pulso. ?Os preços variam de R$ 30 em diante?, explicou You Diop, que vive no Brasil há cinco anos. Ele também recebeu a notificação da prefeitura. ?Não temos para onde ir se tivermos que sair?, disse. Além da Rua do Sol, a prefeitura pretende remover ambulantes da Rua Augusta e adjacências, sob argumento de que a maioria tem lugar fixo para trabalhar.