Cidades
Mães de microcéfalos pedem apoio
Com seus filhos prestes a completar dois anos de vida, mães alagoanas de bebês que nasceram com microcefalia reclamam que têm pouco a comemorar. É tanto que, em Maceió, um grupo delas decidiu criar a Associação Família de Anjos, para lutar de forma mais organizada pelos direitos que o estado brasileiro assegura a seus filhos. Numa reunião marcada para as 9h deste sábado, 23, na sede da Pestalozzi, no bairro do Farol, mães e pais de crianças com a doença vão eleger a primeira diretoria da associação, que já tem advogado e sede própria. O profissional de direito é voluntário, e a sede é uma casa, no bairro Benedito Bentes, cedida pela avó do pequeno Erik Gabriel, de um ano e quatro meses. O menino é criado pelas avós, que fazem todo esforço para que ele sobreviva. É que, além de microcefalia, Erik nasceu com uma cardiopatia grave. ?Além dos tratamentos todos, meu neto precisa ser operado do coração?, diz Alessandra Hora dos Santos, 38 anos, avó de Erik Gabriel. Ela está na mesma situação das jovens mães que reclamam da falta de apoio do poder público para terem acesso aos benefícios anunciados depois do impacto provocado pelo surto de microcefalia. Em 2016, o Ministério da Saúde confirmou 130.701 casos em todo País. São crianças que nasceram com a cabeça em tamanho menor do que se espera para a idade. A malformação provoca limitações físicas e atraso no desenvolvimento cerebral. Alguns pacientes apresentam convulsões e maior risco de contrair infecções graves. As causas mais comuns da microcefalia são infecções como sífilis, toxoplasmose e rubéola, que ocorrem durante a gestação, e, a partir de 2015, o zika vírus passou a integrar essa lista. Foi o que aconteceu com Iana Flor da Silva, que, aos 17 anos, viu sua vida mudar completamente. ?Deixei a escola, e agora dedico minha vida a cuidar do meu filho?, afirma Iana, com o pequeno Pedro nos braços.