Cidades
Locais de devoção popular, santuários enfrentam abandono
Nesta semana, a peregrinação da reportagem da Gazeta passou por alguns dos santuários mais conhecidos e frequentados de Maceió. A maioria dos pontos de devoção popular passa por situações semelhantes a dos fiéis: espera por um milagre para que possam receber bem milhares de devotos que mensalmente demostram gratidão por graças alcançadas ou alimentam esperança de uma ajuda ?divina? por dias melhores, empregos e saúde. A maioria dos santuários recebe semanalmente dezenas de devotos, no entanto, também precisam de cuidados especiais para que possam sustentar a fé dos peregrinos. Independentemente das classes sociais, os grupos de devoção e de orações ultimamente atraem cada vez mais gente em busca de conforto espiritual. Alguns santuários que eram frequentados e recebiam romarias até as décadas de setenta e oitenta caíram no esquecimento das paróquias e parecem que perderam até a importância religiosa nas comunidades. Assim são os casos dos ?Cruzeiros? que ornamentavam a parte alta dos bairros pobres da cidade e representavam a presença marcante do catolicismo na periferia. Os Cruzeiros do ?Flexal de Cima?, a área mais pobre ocupada por barracos na encosta da barreira em Bebedouro; o do alto do Riacho Doce, no Litoral Norte; o do Jacintinho, região central; da Lagoa Mundaú, em frente à Igreja Virgem dos Pobres, são exemplos de abandono. Alguns deles estão em áreas violentas e as pessoas preferiram preservar suas integridades. O ?Papódromo? localizado na região do Dique Estrada, entre os bairros do Trapiche da Barra e Vergel do Lago, construído na gestão do então presidente (hoje senador) Fernando Collor (PTC/AL) em 1991, para receber o papa João Paulo II, viveu o desinteresse das autoridades estadual, municipal e da própria Igreja Católica. Passou mais de 20 anos abandonado. Resultado: o que não foi roubado terminou destruído pela ação do tempo.