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Símbolo do catolicismo é consumido pelo tempo

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Até 1982, o Cruzeiro da localidade conhecida como Flexal de Cima, no bairro de Bebedouro, registrava peregrinações regulares. As mais movimentadas ocorriam nos períodos da Semana Santa e no Dia de Finados. Em maio daquele ano, a chuva forte provocou deslizamento de barreira que matou 12 pessoas. A área mais afetada foi exatamente onde fica o Cruzeiro. Os barracos que ficavam próximos foram arrastados, alguns soterrados e, milagrosamente, só ficou em pé a cruz. A maioria dos sobreviventes, aconselhados pela Defesa Civil, foi embora por causa do perigo. Com a falta de fiscalização e o passar dos anos, outras famílias voltaram ocupar aquela área de risco. O terreno que fica na área do Cruzeiro foi comprado pelo pintor Rogevan Leopoldino, casado, dois filhos. Ele mora no local há 22 anos. Evangélico, não se importa em preservar a cruz que antes era reverenciada pelos católicos. ?Quando comprei esta área incluía o Cruzeiro que estava abandonado. Hoje, pouca gente aparece por aqui. Mesmo assim, não me importo?, disse. Em sinal de respeito, o evangélico preferiu manter a cruz no terreno. O símbolo do catolicismo está sendo consumido lentamente pela ação do tempo. ?Eu não sou católico. A cruz para mim não significa muito. Mesmo assim, não me incomoda, deixa ela no lugar onde foi construída?, disse Rogevan ao considerar importante o respeito às outras religiões. Uma das católicas que ainda fazem orações em frente ao Cruzeiro do Flexal é a marisqueira Nadja Maria dos Santos, 50 anos, casada, quatro filhos. Mora num barraco naquela área de risco. ?Antes da tragédia de 82, quando morreram 12 pessoas soterradas pela barreira, muitos pescadores, marisqueiras e moradores de Bebedouro visitavam cruzeiros. Tinha os dias de orações, as pessoas ascendiam velas em volta da cruz, as procissões da Semana Santa e de Finados. Depois da tragédia, o Cruzeiro foi esquecido e ficou abandonado. Nem os padres vieram mais?.

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