Cidades
Machismo não é cultura, ressalta entidade
Diante dessa realidade cruel, o presidente do GGAL fala que as pessoas precisam acabar com a visão de que o machismo e o preconceito nas cidades interioranas são uma questão cultural. Para ele, trabalhar o assunto em sala de aula é uma saída para difundir a prática do respeito e da tolerância com as diferenças. ?É importante trabalhar a questão do respeito e da tolerância dentro da escola. Isso não é querer empurrar goela abaixo a homossexualidade dos outros. É trabalhar a cabeça não só da sociedade, mas da própria população LGBTTT. Todos precisam entender que homolesbotransfobia, racismo e machismo não são culturais. Isso não é normal. Precisamos tratar esses tipos de comportamento como intolerância?, afirma Nildo Correia. A mesma ideia é defendida pela superintendente de Direitos Humanos da Semudh, Rita de Cássia. Para ela, a solução para tentar minimizar o problema do preconceito e da intolerância parece simples e passa pela educação. ?A gente tem que aprender a respeitar e conviver com a diversidade, e isso inclui o meio educacional. A escola é fundamental nesse processo junto com a educação não formal que é feita fora da sala de aula. Por isso, precisamos realizar formações que envolvam os estudantes, os professores de escolas e universidades e a comunidade de uma maneira geral para que as pessoas sejam levadas a refletir e se perceber enquanto cidadãos e promover as defesas dos seus próprios direitos?. Uma das vítimas desse preconceito velado foi o professor Daniel Macedo, de São José da Tapera, no Sertão de Alagoas. Ele desenvolveu um projeto junto com um grupo de alunos do 2ª ano do Ensino Médio Integral da Escola Estadual Lucilo José Ribeiro e foi alvo de muitas ameaças. O trabalho ?Diário de gente: Gênero e Sexualidade na Escola? teve a intenção de fazer com que os estudantes compreendessem e respeitassem a diversidade da Identidade de Gênero e da Sexualidade Humana, além de sensibilizar a comunidade escolar para coibir preconceito e discriminação. Na ação, comunicada e autorizada previamente pela escola e pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), os alunos participaram de uma série de discussões e, inclusive, chegaram a se vestir com roupas do sexo oposto.