Cidades
Fechar os olhos para o preconceito em sala de aula reforça a violência
Se discutir sobre homossexualidade já é complicado e desafiador, quando o assunto é levado para o interior do Estado, em especial para o Sertão, parece que a situação fica ainda mais difícil. ?O machismo na região ainda é predominante. Os modelos familiares reforçam o padrão heteronormativo. As filhas são educadas para o matrimônio e para as atividades domésticas. Também está no Sertão o maior número de denúncias de violência contra a população LGBTs. Nessa perspectiva, a escola tem papel preponderante. É necessário discutir o lugar ocupado pela mulher e pela população LGBTs e questionar a institucionalização da violência. Fechar os olhos para o preconceito e para a discriminação nos corredores escolares é reforçar essa violência?, acredita o professor Daniel Macedo. O professor conta que educar nos tempos de hoje não é uma tarefa fácil. A dificuldade, muitas vezes, começa dentro da própria instituição de ensino, que na opinião dele, se mostra muito preconceituosa. ?Nos últimos dias tenho percebido isso com muito mais clareza. A escola ?encaixota? todo mundo. São os negros, os gordos, os magros, os nerds, os bons em esporte, os gays, os do sítio, os da cidade. As pessoas vão sendo colocadas ?nas caixas de preconceito?. Ocupar esses lugares é receber todo um conjunto de referências na maioria das vezes negativas. O preconceito rotula, segrega, marginaliza, desqualifica, oprime. Toma-se por base um padrão e tudo que é diferente desse padrão será alvo de hostilização?, opina. Apesar do projeto ter sido realizado em uma cidade que fica a quase 220 quilômetros de distância de Maceió, as ações repercutiram de tal forma que chegaram a ser tema de pronunciamento na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). O professor também foi alvo do que pretendia combater: o preconceito. Recebeu diversas ameaças e chegou a registrar um boletim de ocorrência e a deletar o perfil dele nas redes sociais.