Cidades
Falta de projetos inviabiliza investimentos
O Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), que é um órgão colegiado, formado por integrantes do poder público, sociedade civil e empresas usuárias de água, confirma a existência de recursos para a construção de um reservatório e de uma estação de tratamento em Piaçabuçu, embora ressalte que aguarda há tempos pela apresentação dos projetos pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). O dinheiro para bancar os projetos, confirma a comissão, vem da arrecadação do próprio comitê, pelo pagamento para o uso da água bruta por empresas como a Chesf e a própria Casal. Para tentar reduzir a retirada de água do rio, principalmente pelas empresas de mineração e áreas irrigadas para a agricultura, o CBHSF criou o ?Dia do Rio?, que acontece todas as quartas-feiras, quando a captação deve ser feita somente para consumo humano. Mesmo diante dessa boa ação, a norma tem enfrentado resistência dos gestores das empresas. ?O comitê tem se colocado de forma crítica desde o início, inclusive tendo se posicionado contrário à transposição do São Francisco na forma como está sendo feita, sem discussão com a sociedade e por entender que o rio já indicava que não teria água suficiente. Diante dessa situação, retirar água para outras bacias é um crime, mas a Chesf, Ibama e ANA é que definem?, ressalta o presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda. De acordo com ele, o CBHSF defende que sejam estudadas novas formas de geração de energia elétrica para a região Nordeste, que atualmente conta em sua totalidade com usinas hidrelétricas, que represam ainda mais as águas. ?O governo federal não cede, não quer gastar com novos projetos nesse sentido?, reconhece Anivaldo Miranda. Para se ter uma ideia melhor de quão estúpido pode ser o pensamento de gestores da ANA, a agência, que deve trabalhar para a preservação dos mananciais e do São Francisco, chegou a defender junto ao comitê a construção de pontilhões na foz do rio, como forma de conter a salinização. A medida foi prontamente rejeitada, por entenderem que seria a decretação da morte do rio.