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No comércio da periferia, cliente é proibido de entrar no mercadinho

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O cliente solicita, recebe, verifica, negocia, paga e agradece, mas não entra em alguns estabelecimentos comerciais na periferia de Maceió. O impedimento é a grade, fechada com cadeado, que separa o comerciante do consumidor. ?Eu não tenho alternativa senão trancar a grade. Só abro quando o cliente é conhecido. Já sofri nove assaltos a mão armada?, desabafa Claudiane Silva dos Santos, sócia de um mercadinho no bairro de Santa Lúcia. Seu semblante de apreensão diante do estranho que se aproxima da empresa, em trecho da movimentada Avenida Manoel Afonso, só sossega quando o visitante confirma o desejo de fazer uma compra, apenas. O clima de tensão não desaparece sequer com a presença da reportagem. ?A gente nunca sabe a intenção de quem vai entrar?, declara Claudiane, olhar muito atento à assídua clientela que lhe compra de tudo um pouco. ?O cadeado está sempre à mão. Muitas vezes, fecho com o cliente na loja e só abro quando vai embora?, explica o esposo de Claudiane. ?Às vezes, ele não passa da grade de jeito nenhum?, completa. A sensação de insegurança ? ?a polícia nem sempre está por aqui?, confessa ? é fruto de uma estatística nada agradável: a empresa já recebeu a ?visita? de bandidos nove vezes. ?Nove vezes!?, exclama. O medo de uma nova investida explica por que Claudiane instalou uma câmera de vídeo apontada para a porta. É o único aparato de segurança. Não evita assalto, mas pode inibir a ação do infrator. A contabilidade do negócio é feita num caderninho. ?Não vou comprar computador para ser levado pelo malandro?, diz a comerciante. ?Não tenho proteção alguma para meu patrimônio?, completa. Alguns metros adiante, em trecho da mais movimentada avenida do bairro, seu Eraldo Pedro encara a reportagem com certa desconfiança. Só se alivia quando observa o crachá do repórter.

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