Cidades
Brincadeiras resistem a apelos mercadológicos
Segundo o pedagogo Luciano Amorim, em que pese as várias teorias que discutem o ato do ?brincar?, a ação da brincadeira é cultural e se distingue entre os vários espaços e sujeitos envolvidos. ?Tem um estudioso que comenta, em seu tempo, como elementos do campo do imaginário, do ser criança, viram mercadoria. Mas não é qualquer mercadoria. Viram fetiche, espetacularização, têm vitrine?, relata. Embora reconheça a relação entre os apelos mercadológicos e seus reflexos na brincadeira, o educador pondera: ?Mesmo assim, a ação do brincar e a interação com o brinquedo nos espaços de hoje rompem com o campo mercadológico. A gente sabe que há uma relação forte do brinquedo no campo do brincar, mas dizer que o brincar mudou bruscamente com os jogos mercadológicos, isso eu acho que não?, defende. ?As brincadeiras resistem. E as brincadeiras resistem e existem para além do brinquedo?. Amorim, que trabalhou em uma ONG voltada a atender crianças em situação de vulnerabilidade, acrescenta: ?Uma criança que vive em situação de rua possivelmente não vai ter acesso a determinados tipos de brinquedo, mas por conta disso ela deixa de brincar? Não?, diz. ?Os significados do brincar ganham especificidades de acordo com as classes. As crianças periféricas, dos bairros pobres, existem e resistem, seus corpos também resistem para além do consumo. E elas têm a criação como objeto de brincadeira. Dentro dos espaços, elas criam seus brinquedos, de acordo com a materialidade, com a lata, com a pipa e a raia, com a ximbra. Tem algo tradicional, e tem o criativo. Essa vulnerabilidade que traz a necessidade de criar?, comenta.