Cidades
Há bullying nas escolas alagoanas
Uma vida pela frente e a vontade de desistir dela aos 16 anos. Natália ouviu o relato de uma amiga que iria se matar por não suportar mais ser chamada de gorda e fedorenta na escola. Já Daniely, uma menina de apenas 12 anos, deixou de comer a ponto de passar mal e ser internada. Queria emagrecer a todo custo, por não aguentar ser xingada de baleia pelos colegas; Daniel viu um amigo ser ferido com lápis dentro da sala de aula porque teria jeito afeminado. A Gazeta de Alagoas ouviu adolescentes sobre o bullying ? uma expressão inglesa que passou a ser conhecida por brasileiros ? e virou lei em 2015, para conter a intimidação sistemática, a humilhação cotidiana, a violência que explode nos pátios das unidades de ensino. Uma psicóloga que acompanha casos como esses defende investimento em saúde mental para combater os atos de violência; e um juiz, que ministra palestras sobre o tema, declara que muitos crimes advêm do bullying. Grave e complexa, a situação precisa ser discutida dentro de casa, na escola, no trabalho. Há quase dois anos a chamada lei contra o bullying foi sancionada pela então presidente da República, Dilma Rousseff. Anos depois o termo passou a fazer parte da rotina dos brasileiros, que acompanharam em 2011 uma tragédia. Um rapaz de 24 anos abriu fogo contra colegas dentro de uma escola no Rio de Janeiro, matou mais de 10 e depois suicidou-se. O episódio ficou conhecido como ?o massacre de Realengo?. O autor da chacina ? Wellington ? tinha comportamento diferente e era ?perseguido? por colegas. Seria vítima de bullying. Seis anos e seis meses depois desse caso no Rio de Janeiro, uma nova história estarrece. No último dia 20, em Goiânia (GO), um adolescente armou-se com uma pistola e atirou dentro da sala de aula, matando dois e ferindo outros quatro colegas da escola. No mesmo dia a polícia disse que o atirador teria afirmado que era vítima de chacota. Opiniões se dividiram desde então se esse seria um registro de bullying. O fato é que ouvir xingamentos repetidos dentro da escola pode acarretar ou contribuir para medidas extremas. O bullying passa a ser um ingrediente perigoso nesse contexto. Laize é uma das mais sorridentes dentre as colegas da Escola Estadual Professor Theonilo Gama, no Jacintinho, em Maceió. Tem apenas 15 anos, mais de 1,70m de altura e o que poderia ser um ponto positivo virou um problema. Adotou os cabelos volumosos e soltos e, então,virou alvo de xingamentos. Não pensou duas vezes: mudou para os fios lisos. Mas a situação só piorou.