Cidades
Cliente pagava o equivalente a 10 salários do cargo desejado
O inquérito foi instaurado em março e o trabalho começou com a autorização, pela Justiça, da quebra do sigilo telefônico dos irmãos Borges e vigilância dos endereços obtidos pela polícia, segundo o delegado Lucas Sá. Os policiais disfarçados ficavam na frente e dentro do condomínio residencial de luxo no Altiplano, bairro nobre de João Pessoa, onde funcionava o ?quartel-general? da organização criminosa. Eles anotavam e pesquisavam as placas de todos os carros que entravam e saíam da casa alugada. Os frequentadores do quartel-general eram seguidos pelos agentes para descobrir o endereço deles, se fossem de João Pessoa. ?Sempre que surgia alguém novo, um nome novo, nós começávamos a investigar aquela pessoa.[...] Utilizávamos todos os recursos disponíveis?, disse Lucas. A casa do ?professor? em Mangabeira também foi vigiada pela DDF, assim como uma empresa de construção civil que Vicente Borges administrava. UMA EMPRESA Perto das datas dos concursos, os criminosos solicitavam que os clientes fossem ao quartel-general para receber instruções sobre como a prova iria ser feita, aprender a usar o ponto eletrônico e ajustar os detalhes de hora de chegada, quem faria a prova primeiro, entre outros. Os suspeitos dividiam tarefas: tinham os que cuidavam da tecnologia e dos pontos eletrônicos, tinham os ?passadores? de respostas para os candidatos, outros que eram responsáveis por prospectar novos interessados nas vagas. No dia anterior aos exames, os candidatos dormiam na casa em João Pessoa e, no dia seguinte, iam juntos com os criminosos para os locais de prova. Se ao chegar no local eles percebessem que seria muito difícil entrar na prova com os pontos eletrônicos e ainda passar as respostas, o ?trabalho? era abortado. Mas, segundo Lucas Sá, quando conseguiam entrar, o trabalho era feito com uma facilidade muito grande. ?Os membros [em sua maioria professores] faziam logo as provas, gabaritavam o exame e iam até o banheiro mandar fotos com as respostas. Se a foto ficasse ruim ou difícil de entender, os ?passadores? mandavam ele ir novamente e tirar outra foto?, detalha o delegado.