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Lagoa: fartura de sururu, escassez de peixe

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FÁTIMA ALMEIDA A Lagoa Mundaú não está para peixe. Mas, em compensação, os catadores de sururu estão em clima de festa. O molusco está aparecendo em boa quantidade, fato capaz de aquecer o comércio em tempos de Semana Santa. A atividade tem levado famílias inteiras à beira da lagoa, na tentativa de melhorar o orçamento doméstico de pescadores e marisqueiras. ?Temos de aproveitar, porque nem sempre é assim. Enquanto tem sururu, toda a família trabalha?, diz o catador Joel Marinho. Em função da boa oferta da natureza, o movimento no ancoradouro das canoas praticamente duplicou nos últimos dias. A tarefa de catar o sururu, lavar para tirar o excesso de lama, separar e vender movimenta dezenas de homens, mulheres e crianças. Mas a oferta em abundância não tem conseguido evitar o aumento de preço que sempre caracteriza o período. ?Estamos comprando a R$ 2,50 para revender. Que lucro poderemos ter, se ainda temos de pagar frete??, reclama o vendedor José Darci. Ele compra diretamente ao catador, na chegada da canoa, e diz que há poucos dias pagava R$ 1,50 pela mesma medida (uma lata) de sururu no capote. Para os peixes, os preços continuam, pelo menos por enquanto. ?A tainha pequena está sendo vendida a R$ 3,00 o quilo; a grande a R$ 4,00; o curimã está em torno de R$ 6,00?, diz o pescador José Bonifácio, da Colônia Z-5, no Dique Estrada. Mas ontem pela manhã os freezeres da colônia estavam vazios; não havia peixe para vender. ?A pesca está um fracasso esses dias. Até parece que os peixes se escondem quando vêem o pescador?, diz ele. Na sua opinião, a escassez é um reflexo da exploração exagerada da lagoa. ?Tem muito pescador e muita poluição?, comenta. Alguns pescadores tentaram pescar em outras áreas, como Paripueira, Lagoa Azeda, mas chegaram à conclusão de que não compensa, por causa das despesas com o transporte da canoa, a comida e outros gastos. ?É melhor ficar por aqui, mesmo ?com pouco peixe?, diz o pescador Digerson Silva. (FA) /// Vigilância Sanitária do município fiscaliza pescado Os técnicos da Vigilância Sanitária Municipal já começaram a intensificar as ações de fiscalização nos principais pontos-de-venda de pescado de Maceió, com vistas a verificar a qualidade do produto colocado à disposição do consumidor. Segundo o coordenador da Vigilância Sanitária, Geovane Pacífico, as ações de fiscalização estão sendo antecipadas, com o objetivo de reduzir o risco de consumo de alimentos estragados durante a Semana Santa. Na semana passada, a Vigilância esteve nas balanças de pescado localizadas nos bairros de Jaraguá, Pajuçara, Garça Torta, Jatiúca e Mercado da Produção. As atividades estão sendo realizadas dentre as operações normais da Vigilância. Ainda esta semana serão visitados os supermercados que possuem uma maior movimentação de vendas de pescado. ?Ao mesmo tempo, as equipes estarão colando cartazes e orientando os proprietários dos estabelecimentos sobre os cuidados que se deve observar na comercialização do alimento?, acrescentou Geovane. O veterinário da Inspetoria de Alimentos da Secretaria Municipal de Saúde, José Heriberto, recomenda que a população tome cuidado no momento de comprar o pescado. ?O consumidor deve exigir o alimento fresco ou totalmente gelado?, alerta. Se o consumidor optar por comprar peixe, o técnico recomenda que a população verifique se os olhos estão brilhantes e vivos, e se as escamas estão aderidas ao corpo. Outro detalhe é averiguar se as guelras estão rosadas ou vermelhas, úmidas e brilhantes. Caso a opção seja por camarão, a dica é observar se a casca está bem aderida ao corpo. O alimento deve conter cheiro característico, suave e olhos destacados, vivos brilhantes e úmidos. Na compra do sururu o critério é observar o aspecto também úmido, esponjoso e o cheiro característico. No dia 17 de abril, a Vigilância estará fiscalizando todos os pontos-de-venda de pescado, e no dia 18 a operação será intensificada até o meio-dia.

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