loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

CBTU tem projeto para implantar metr� em Macei�

Ouvir
Compartilhar

CAÍQUE MARQUEZ A implantação do metrô de Maceió só depende de vontade política. A afirmação é do superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Alagoas, Adeílson Bezerra. Ele disse que o projeto já está pronto, mas é preciso que os governos do Estado e do município se reunam com a CBTU para a formatação da minuta de um convênio, nos moldes do que já foi assinado em Natal (RN), no ano passado. ?O cronograma de estadualizações da CBTU prevê que este ano é o momento para investimentos em Maceió. Só depende dos governantes e da bancada federal, que deve pressionar a União para conseguir a liberação dos recursos financeiros para a construção do metrô. Contudo, para isso, precisa haver uma contrapartida mínima do Estado e do município. A hora é essa, pois Alagoas vive seu melhor período político-histórico necessário para a implantação do metrô?, explicou Bezerra. Ele disse que na próxima semana irá solicitar uma audiência ao governador Ronaldo Lessa, para apresentar o projeto e mostrar a maneira como os outros Estados conseguiram os investimentos. Além de diminuir os graves problemas de congestionamento no trânsito, o transporte através de metrô e trem urbano é muito mais barato. O preço cobrado pela CBTU para o percurso de Maceió a Rio Largo é de R$ 0,50. De acordo com Adeílson Bezerra, a passagem é bem menor porque é subsidiada pelo governo federal. ?Para cada passageiro que paga R$ 0,50, a União banca mais R$ 0,40, totalizando R$ 0,90. Isso porque em todo o mundo o sistema ferroviário tem subsídio, pois transporta elementos fundamentais para o desenvolvimento da nação. Se Rio Largo não tivesse o trem, haveria uma convulsão social. Mais de 40% dos nossos usuários são daquele município e não têm como pagar uma passagem de quase R$ 1,00?, frisou. Novas estações Segundo Bezerra, cerca de dez mil pessoas utilizam o trem urbano diariamente. A expectativa é de aumentar esse número para 70 mil passageiros por dia, com a implantação do metrô até o Tabuleiro. Adeílson informou que nos últimos três anos, a CBTU trabalhou para recompor o sistema de trens urbanos da capital alagoana, através da construção de novas estações, melhoria dos trilhos e dos trens. Ao todo, são 32 quilômetros de via permanente, de Maceió a Rio Largo. A partir deste ano, devem ser iniciados os projetos de expansão, para levar o trem até o Tabuleiro. ?Essa nova etapa será feita através do sistema de metrô de superfície, pois os trens que serão utilizados são elétricos, mas com adaptadores para diesel. Além disso, eles são bem mais leves que os utilizados atualmente, que datam da década de 50. Os novos trens são de tecnologia alemã e suíça?, ressaltou Adeílson Bezerra. Ele acrescentou que para a implantação do metrô em Maceió, que inicialmente fará o percurso do Tabuleiro do Martins até o centro da cidade, é necessário um montante de 40 milhões de dólares. ?Primeiramente é preciso implantar o metrô. A nova via permanente, que será construída até as proximidades do Benedito Bentes será composta de bitolas mais largas que as existentes no percurso Maceió/Rio Largo. Essa via é especificamente adaptada para uso de metrô, pois os trens são muito leves e alcançam uma velocidade mais rápida?, observou. O superintendente da CBTU esclareceu que a via permanente utilizada no percurso até Rio Largo continuará com as mesmas bitolas, caso contrário, os custos serão muito altos. ?Numa primeira etapa, instala-se o metrô até o Tabuleiro. Em seguida, é necessário se pensar na troca dos atuais trilhos do trem urbano. Na via existente é impossível implantar o metrô, pois para se alcançar uma velocidade alta é preciso que as bitolas sejam largas. Contudo, para melhorar o percurso já existente, a CBTU vai adquirir, este ano, 12 novos carros de passageiros, feitos de aço inoxidável, que são muito mais leves e possuem maior conforto, resistência e durabilidade que os carros que estão em uso atualmente?, anunciou. De acordo com suas informações, os novos carros de passageiros estão no pátio operacional da Fepasa, em São Paulo, aguardando licitação, para que empresas especializadas se habilitem a fazer os reparos internos necessários para os veículos poderem ser utilizados no sistema de Maceió. ?Esses carros possuem bancos para longos percursos, semelhantes ao de ônibus leito. Para a utilização em percurso urbano é preciso cadeiras mais resistentes, com material acrílico, as mesmas utilizadas nos metrôs das grandes cidades. Somente empresas internacionais detêm a tecnologia para fazer a adaptação?, disse Bezerra. Tecnologia alemã A idéia da CBTU é trazer os novos carros, já adaptados, para substituir o material atual, que já está obsoleto. ?Esses novos carros de passageiros serão utilizados no percurso de Maceió a Rio Largo. Eles não serão usados no novo percurso que irá até o Tabuleiro. Para o novo trajeto serão utilizados trens ainda mais leves que os de aço inoxidável, com tecnologia suíça ou alemã, utilizada especificamente para metrôs. É bom esclarecer que o metrô é elétrico, com possibilidade de adaptação para diesel, muito mais leve e rápido que o trem urbano, que é pesado, lento e somente movido a diesel?, frisou Adeílson Bezerra. O projeto para a implantação do metrô em Maceió começa a ser executado, este ano, através da construção de maquete e estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira. Para sua concretização é necessário um conjunto de fatores. A União constrói e os governos estadual e municipal entram com uma contrapartida, de um percentual mínimo, para garantir o comprometimento. Com o aval do governo federal, o Estado e o município buscam recursos em instituições financeiras internacionais. Contudo, é preciso ser celebrado um convênio entre os três governos e, se o Estado achar conveniente, pode haver a participação da iniciativa privada. Após a construção do metrô, o gerenciamento do sistema passará a ser do Estado, que decidirá se passará a tarefa para a iniciativa privada. Adeílson Bezerra informou que esse convênio já foi concluído no Rio de Janeiro, em São Paulo e Fortaleza. Está em fase de conclusão no Recife, Salvador e Belo Horizonte. A CBTU iniciou a transferência do gerenciamento nos sistemas maiores, para depois partir para os sistemas menores, como Maceió, Natal e João Pessoa. ?O governo do Estado é que ficará responsável pelo gerenciamento do sistema. Entretanto, o processo de transferência é longo. Após a assinatura do convênio, o Estado passará a acompanhar as ações da CBTU. A União não joga tudo nas mãos do Estado e vai embora. Não é assim. No Recife, por exemplo, o processo vem se desenrolando há dez anos. O governo federal está investindo no sistema, a CBTU fornece assessoria técnica, executa e fiscaliza todas as obras de implantação do metrô. Depois de terminadas as obras, a União ainda banca o salário de todos os servidores, durante cinco anos?, disse Bezerra. Segundo ele, no Recife foi criada a Copertrens, que pertence ao Estado. ?A companhia ficará no lugar da CBTU, que terá cumprido sua missão. É isso que nós queremos para Maceió. O gerenciamento do sistema tem que passar para o poder local, até para facilitar as integrações do modal ferroviário com o rodoviário. No Recife o investimento foi de 204 milhões de dólares. Para Alagoas, nós só estamos pleiteando 40 milhões de dólares. O retorno do investimento virá em 30 anos?, finalizou Bezerra, acrescentando que para entregar o sistema ao Estado, a União precisa melhorá-lo e ampliá-lo. Caso contrário, o governo estadual não terá como subsidiar o preço da passagem.

Relacionadas