Cidades
Família se recusa a enterrar jovem acreditando que ela estava viva
O perito Kleber Santana, do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima, confirmou ontem a morte da jovem Débora Isis Mendes de Gouveia, de 18 anos. O caso ganhou repercussão nacional porque os familiares negavam-se a sepultá-la, por acreditar que Débora ainda estava viva. Por isso, o corpo da jovem passou três dias sendo velado na residência da família, em Rio Largo. As dúvidas ganharam força porque, desde o período em que foi dada como morta, várias pessoas contaram que viram Débora chorar e mexer algumas partes do corpo. No velório, ontem, o corpo não apresentava sinais contundentes de que ela estivesse morta: o cadáver não exalava mau cheiro, mantinha a temperatura normal e também não apresentava roxidão. A garota foi dada como morta no domingo, 12, por volta das 14h, em um hospital particular localizado no bairro da Ponta Verde, em Maceió, onde estava internada com um quadro de virose, e teria tido uma parada cardíaca. Antes, a jovem passou pela unidade de saúde de Rio Largo e pelo Hospital Geral do Estado (HGE). Os familiares rejeitaram o atestado de óbito e se negaram a sepultá-la sem laudo do IML que confirmasse o óbito. Eles alegaram que há casos de catalepsia na família ? quando os batimentos cardíacos caem tanto ao ponto de os sinais vitais praticamente desaparecerem, deixando o paciente em um estado que pode ser confundido com a morte. ?Eu, quando tinha dois anos, passei quatro dias nos braços da minha mãe em estado de morta, mas era essa doença. Eu sei que minha filha está viva, as pessoas deveriam ter mais respeito e me ajudar nesse momento, isso é terrível?, dizia ontem a mãe dela, Tereza Cristina. O delegado de Rio Largo, Manuel Wanderley, e o promotor de Justiça Magno Alexandre estiveram no local para acalmar e convencer a família a fazer o enterro, mas não conseguiram. A mãe estava irredutível. No entanto, mesmo crendo que a filha estivesse viva, Tereza Cristina a manteve dentro de um caixão, pronta para sepultamento. Desde o período em que Débora chegou em casa até a manhã de ontem, ela não havia sido avaliada por nenhum outro médico que pudesse dizer, definitivamente, se ela estava viva ou morta. Para solucionar o caso, o delegado e promotor decidiram, a pedido da mãe, que o corpo da jovem seria levado ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), no começo da tarde de ontem. Tereza acompanhou a filha até o Instituto Médico Legal (IML). A mãe de Débora também critica o fato de o corpo da jovem não ter passado por necropsia, procedimento que poderia atestar a verdadeira causa da morte. * Sob supervisão da editoria de Cidades