Cidades
Agressões fazem Estado perder 14% dos manguezais em 17 anos
O olhar não atento mira em direção ao manguezal como se fosse um emaranhado visualmente estranho, sem função e de odor pouco convidativo. De tão perto dos brasileiros, exposto à ação humana ? de canto a canto do País ?, virou um abrigo ameaçado. Um ecossistema que abraça espécies, oferece a elas acolhimento e, às famílias, sustento. Ele integra a Mata Atlântica e perdeu 20% de sua área em 17 anos no Brasil. O levantamento divulgado recentemente pelo Observatório do Clima revelou também que Alagoas é o terceiro Estado que mais reduziu a área de manguezais, com 14%. Ocuparam a primeira e a segunda colocação, respectivamente, Paraná, com 23%, e a Bahia, com uma redução de 21%. A expansão urbana é a principal vilã desse ecossistema, como aponta a pesquisa. Alagoas abriga cerca de 50 quilômetros quadrados de manguezal distribuídos em toda faixa litorânea, de acordo com o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Parece muito, mas não é. Grandes áreas já desapareceram, de canto a canto do Estado. Para o biólogo do IMA, Carlos Soares, o resultado do levantamento não é novidade. ?Quando você divide o litoral por municípios, de Coruripe a Barra de São Miguel, a gente verifica que as agressões, as especulações e o crescimento desordenado é mais pontual nos municípios que a gente verifica um crescimento como no turismo, que gera o aumento da população. É uma consequência dos empreendimentos. A pressão imobiliária é muito grande?, detalha o biólogo. E onde, em Alagoas, a degradação dos manguezais é mais crítica? Carlos Soares ressalta que a demanda maior por empreendimentos imobiliários, principalmente ligado ao turismo, é o Litoral Norte. ?Essa pressão a gente tenta controlar com o licenciamento, mas não é só o licenciamento que protege o manguezal, é a prefeitura que tem que está integrada. É a população que tem que estar integrada a essa necessidade de se proteger o ecossistema?, disse Soares.