Cidades
Mutirão julga a partir desta terça ações de violência contra a mulher
Com foco nos crimes de ameaça, o 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Maceió inicia, nesta terça-feira, mais um mutirão judicial. Foram selecionadas 75 ações, e a estimativa é que pelo menos 50 delas sejam julgadas até o último dia do mutirão, na sexta-feira, 24. ?Priorizamos os crimes de ameaça, que prescrevem mais rápido, em três anos?, disse o juiz de direito José Miranda Santos Júnior, subcoordenador da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica. O mutirão faz parte da Semana da Justiça pela Paz em Casa, coordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e foi organizado para intensificar o julgamento de ações envolvendo violência contra a mulher. Uma iniciativa destacada pelo juiz José Miranda como essencial nessa luta, mas que, ressalta ele, deve ser precedida de ações envolvendo a sociedade e os poderes públicos, no sentido de que a agressão não ocorra. ?O trabalho para impedir é longo, mas começa em casa e na escola, quando as crianças devem aprender que não há diferenças entre meninos e meninas. Quando a situação chega na Justiça, a violência já ocorreu, e é isso que precisamos evitar?, afirmou o magistrado, confirmando que o número de casos de violência está aumentando. Segundo ele, o Judiciário recebeu um número maior de processos nos últimos três anos. Para o juiz José Miranda, a razão está na conscientização das mulheres, que estão denunciando mais as agressões sofridas. ?Nos estados onde há uma cultura machista, a mulher costuma sofrer em silêncio. É o que chamamos a dor silenciosa. Felizmente isso está mudando! Graças às campanhas, ao aumento da visibilidade, elas estão reagindo, denunciando mais?, afirmou o magistrado, que é titular 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Maceió. Para ele, quanto mais visibilidade se dá aos casos de agressão, mais possibilidade de redução da violência se consegue. ?Os agressores tendem a ter mais cuidado com o que fazem quando se fala muito no assunto, quando a mulher denuncia?, disse José Miranda, defendendo que a rede de proteção da mulher vítima de violência se estenda para todos as regiões de Alagoas, do Sertão ao Litoral.