Cidades
Alagoanas denunciam assédio no trabalho
?Senti nojo, revolta, humilhação, solidão. Era como se eu fosse um lixo?. Expressões que saem da boca de mulheres que já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho revelam uma situação repetitiva e constrangedora que, muitas vezes, silencia as vítimas por motivos que vão além do medo de perder o emprego. Por mês, pelo menos cinco novos processos desse tipo de crime chegam às Varas do Trabalho em Alagoas. Nos últimos dois anos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu quase 200 denúncias de assédios sexual e moral, sendo em número bem menor o primeiro deles. Os motivos mais relevantes para a diferença ? o sexual registra menos de 5% do total dos procedimentos ? são o medo e a vergonha da vítima de relatar o ocorrido. ?Ele perguntou se eu amava meu marido. Eu disse que sim. Depois isso foi piorando, avisei ao meu supervisor e ele não fez nada. Aquela situação não parava. Ele tinha mais poder do que eu, ganhava mais?. A mulher relata os convites para a prática de sexo, insistentes, na hora do trabalho. A conduta do agressor a deixava paralisada, nó na garganta e desencadeou em transtornos, tratados com medicação. Era preciso buscar ajuda para conseguir dormir, não chorar mais e tocar a vida. A mulher que conta essa história é uma universitária de 28 anos. Vamos chamá-la de Adriana. Era um momento importante na vida dela, trabalhava na função que gostava e tinha casado recentemente. Submetida a humilhações diárias de dois colegas de trabalho (um deles insistia em convidá-la para praticar sexo), ela pediu apoio aos seus superiores, mas não adiantou. Disseram que ela deveria esquecer a história e acabou demitida. Ao contrário de muitas vítimas, Adriana resolveu denunciar. Contratou advogado, registrou Boletim de Ocorrência e o caso já corre na Justiça. Dois homens que deveriam ser colegas de trabalho ? exemplos a seguir por ocuparem posições mais importantes do que a dela ? acabaram indiciados pela polícia.