Cidades
70 anos de uma história marcada pelo heroísmo
De tão necessários, os bombeiros militares são quase onipresentes. Os primeiros a serem chamados diante das tragédias humanas, esses verdadeiros guerreiros devem estar prontos para agir em casos de afogamentos, incêndios, desmoronamento, resgate, desastres aéreos, acidentes rodoviários etc. Mas eles são chamados também para tarefas menos heroicas, como tirar gatos de telhado ou trocar botijão de gás para idosos que vivem sozinhos. Embora a carreira de Bombeiro tenha natureza essencialmente militar, nos tempos atuais a corporação tem cuidado bastante de sua imagem, digamos, civil, colocando-se à disposição da população para ações de cidadania. Tem sido assim no Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL), que acaba de completar 70 anos de história como uma das instituições de maior credibilidade na estrutura de serviços públicos do Estado. A presteza dos bombeiros é imediata. Exatamente por isso, é no CBM que a população pensa quando se fala em credibilidade e eficiência. Mas, se contabiliza essa conquista, para ter o respeito e a confiança dos alagoanos a corporação enfrenta desafios. A falta de pessoal é o principal deles. ?Nos estruturamos mais, adquirindo equipamentos de última geração, mas estamos diante de uma preocupação imensa, que é o tamanho do nosso efetivo?, afirma o comandante-geral do CBMAL, coronel Adriano Amaral. O efetivo é pequeno, considerando o número de unidades e o tamanho da população alagoana, hoje estimada em 3.375.823 pessoas. Para atender a esse quantitativo, o CBM tem somente 1.177 integrantes, entre oficiais e praças. É um contingente ainda mais reduzido quando se considera as aposentadorias (reserva remunerada), as licenças, férias e outros afastamentos permitidos. A corporação deveria ter, ao menos, 2.400 integrantes, tropa necessária ao cumprimento eficiente das atribuições, conforme levantamento estatístico já realizado pelo Comando-Geral. Prestes a completar três anos no cargo de comandante-geral do CBMAL, o coronel Adriano Amaral aponta as muitas conquistas desses 70 anos como prova da importância da corporação. A maior delas, ressalta o oficial, foi a autonomia administrativa, alcançada em maio de 1993, que permitiu ao CBMAL traçar sua própria rota. Mas até chegar aí, há uma trajetória histórica bem curiosa. Conforme relato no endereço eletrônico da corporação (cbm.al.gov.br), a história do CBMAL começa em julho de 1864, quando o vice?presidente da província, Roberto Calheiros de Melo, autorizou gasto de 1.500$000 (um conto e quinhentos mil réis) para a compra de uma bomba d?água que seria colocada no quartel da Polícia Militar. Em 1869, foi instituído o primeiro regulamento para socorro em casos de incêndios. Uma de suas orientações era de que o alerta de incêndio deveria ser dado usando o sino da igreja mais próxima. Mas foi um incêndio que destruiu um estabelecimento comercial, e as casas próximas a ele, no Centro, em Maceió, que levou o então governador do Estado, Silvestre Péricles, a organizar uma unidade para combater as chamas quando elas surgissem em algum ponto da cidade. Ao custo de Cr$ 300.000,00 (trezentos mil cruzeiros), Silveste criou, em 29 de novembro de 1947, uma Formação de Bombeiros, com o efetivo de 41 homens, ?destinada a extinção de incêndios e salvamento de vidas e haveres no município da capital?, como estabelecia a lei Lei nº 1368 sancionada por ele. A Seção de Bombeiros que existia apenas como unidade da PMAL, começou então se estruturar até tornar-se, em outubro de 1970, por força da Lei nº 3116, de Companhia de Bombeiros em Corpo de Bombeiros, com um efetivo de 177 homens, inclusive seis oficiais. Em novembro de 1976, na gestão do então governador Divaldo Suruagy, foi inaugurado o Quartel do Corpo de Bombeiros, no Trapiche da Barra, onde está até os dias atuais. Mesmo tendo um quartel próprio, o CBMAL continuou dependente da PM, pois lhe faltavam recursos financeiros para seguir trajetória própria. Foi somente em maio de 1993, 17 anos depois da inauguração de seu quartel, que o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas conquistou autonomia administrativa, desligando-se da Polícia Militar. A partir daí, os oficiais que assumiram o comando da instituição cuidaram de fortalecê-la. ?Todos fizeram muito até chegarmos às conquistas de hoje?, afirma o cel. Adriano Amaral. Este ano, foram construídas novas unidades, compradas novas e modernas viaturas, duas novas escadas de incêndio, equipamentos de proteção individual, além das reformas nos quartéis da capital e do interior.