Cidades
Aids avança sobre idosos em AL
Uma doença silenciosa, mas com consequências graves, tem se alastrado em um população cada vez mais velha em Alagoas. Dados da Secretaria de Saúde revelam que o número de notificações de casos de HIV/Aids em idosos acima de 80 anos triplicou no Estado entre 2016 e 2017, o que acendeu um alerta nas autoridades. Os dados chamam a atenção, mas podem ser mais alarmantes do que se imagina. É que eles poderão sofrer alterações ao longo de até um ano. Este é o prazo que as secretarias municipais têm para confirmar ou descartar suspeitas e informar à Superintendência de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). ?Este ano, até o mês de novembro, a Sesau foi notificada sobre três casos de HIV/Aids em idosos acima de 80 anos. Em 2016, foi registrada apenas uma notificação. Em 2013, 2014 e 2015, não havíamos registrado nenhum caso. Este, sem dúvidas, é um número que nos preocupa?, explica à reportagem a superintendente Mardjane Nunes. O motivo do aumento de casos nessa parcela da população se deve a fatores como o prolongamento da vida sexualmente ativa e o não uso de preservativos durante o ato sexual, segundo a especialista. Medidas simples poderiam evitar não só a transmissão do HIV, mas a transmissão de sífilis, gonorreia, herpes e hepatites. ?Nós estamos falando de uma parcela da população que não criou a cultura de usar preservativo durante as suas relações sexuais. Isso favorece a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, nós vamos intensificar as campanhas educativas para conscientização sobre a importância do uso do preservativo?, expõe. De 2014 a 2017, a Secretaria de Saúde contabilizou 3.611 casos de HIV/Aids em Alagoas, um número considerado elevado. O crescimento se acentuou nos últimos dois anos e indica que o estado vive uma endemia da doença. Foram 687 casos de HIV/Aids confirmados em 2014; 819 em 2015; 1.056 em 2016; e 1.049 até novembro de 2017. ?Os números nos mostram uma curva ascendente da doença. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, nós vivemos uma situação considerada endêmica e estamos buscando diversas formas de conscientizar a população sobre a necessidade manter relações sexuais protegidas?, acrescenta Mardjane Nunes.